Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Exemplos da pesquisa paulista

Publicado em 12 junho 2002

Por Duarte Nogueira
Ao completar 40 anos de existência, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) se consolida como exemplo para a pesquisa brasileira e mundial. Na semana passada, a Nature, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, publicou o resultado do seqüenciamento genético de duas bactérias que aterrorizam as lavouras: o Xanthomonas citri, que causa o cancro cítrico, e a Xanthomonas campestri, que ataca vegetais. O seqüenciamento dos genomas representa um passo fundamental para o desenvolvimento de melhores técnicas de diagnóstico e também como forma de prevenir a infecção ou curá-la. O cancro é uma lesão na casca da laranja que reduz o valor comercial do fruto e a produtividade do pomar, não tem cura e só é eliminado com a derrubada da árvore. A disseminação da bactéria pelo pomar não depende de insetos, o que descarta completamente o uso de inseticidas, e se dá pela ação da chuva, do vento e do próprio homem, que leva a doença de um lado para outro por meio das roupas, carro e até pelas mãos. De acordo com a Associação Brasileira de Exportadores de Cítricos (Abecitrus), mais da metade do valor da produção é gasto na prevenção à doença. Ao reduzir em 50% a produtividade dos pomares, o cancro afeta diretamente a atividade econômica do Estado. A laranja é o segundo item de exportação de São Paulo, Estado responsável por 26% da produção, e gera 400 mil empregos, principalmente nas regiões de Araraquara, Bebedouro e Itápolis. O trabalho para o seqüenciamento genético demorou dois anos e absorveu US$ 5 milhões em investimentos. Envolveu 65 pesquisadores de universidades paulistas, paranaenses e do Mato Grosso. Não é a primeira vez que a Fapesp divulga os resultados de uma pesquisa de valor mundial. Há dois anos, foi a vez do Genoma, maior projeto científico já realizado no Brasil, lançado pelo governador Mário Covas em 97, e que decifrou o seqüenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da praga do amarelinho. A praga afeta 34% das plantações de laranja do Estado e provoca também a derrubada das árvores. No projeto Genoma foram aplicados US$ 15 milhões, numa parceira entre a Fapesp e o Fundo Paulista de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), num trabalho que envolveu 190 cientistas. Esses são apenas dois exemplos do trabalho de um órgão de pesquisa cobiçado pela maioria dos Estados brasileiros e que recebe apoio fundamentai do governo paulista. Só no ano passado, através da Fapesp, o Estado investiu R$ 550,7 milhões em bolsas, auxílios e programas especiais de pesquisa nas universidades. As bolsas e auxílios, que compõem a linha de fomento à pesquisa, receberam R$ 363,7 milhões, quase R$ 1 milhão por dia. Já aos projetos especiais, que requerem um tratamento específico, foram destinados R$ 187,2 milhões. São Paulo é líder no ranking das pesquisas e responsável por 31% de tudo o que é produzido no Brasil, além de ser o berço de resultados científicos que servem de modelo para todo o mundo. Esse é o resultado de um esforço conjunto entre o governo do Estado, iniciativa privada e também pelo empenho dos laboratórios e pesquisadores. Em ciência, damos exemplos ao mundo. Duarte Nogueira - Engenheiro Agrônomo, 38, líder do governo na Assembléia Legislativa e vice-presidente do PSDB de São Paulo. Foi secretário de Estado da Habitação no governo Covas (95/96)