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O Jornal de Hoje (RN) online

Exemplo em C&T  

Publicado em 31 agosto 2011

* Mario Eugenio Saturno

A economia de São Paulo não é maior que o resto do Brasil, na verdade não chega a um terço do Brasil, porém tem mais da metade da ciência nacional. Apesar do grande investimento do governo federal, como a criação de universidades federais e de fundos para distribuição regional de recursos a Ciência paulista cresceu. Por que será?


Em 2002, São Paulo detinha 49,9% da produção cientifica nacional e, agora, detém 51%, conforme o último levantamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo, FAPESP. E a produção científica continua concentrada nas universidades públicas paulistas, especialmente USP, Unicamp, Unesp e Unifesp.


Certamente esse sucesso deve-se a duas causas: investimento e investimento. Investimento do governo estadual e investimento da indústria. O dinheiro privado das empresas paulistas representa 63% do investimento em ciência e tecnologia no estado ou R$ 9,5 bilhões em 2008. É exatamente o oposto do que ocorre no resto do país que investiram apenas R$ 6,5 bilhões. A boa notícia é que as empresas quadruplicaram o investimento com pesquisa em dez anos.


Porém, foi o investimento governamental que tornou todo esse sucesso possível. A Constituição Estadual do Estado de São Paulo destina 1% da receita tributária do estado para a FAPESP. E mais, de acordo com a lei que criou a Fundação, seus custos administrativos não podem exceder 5% do total de suas receitas.


A Fapesp começou em 1942 quando Jorge Americano, reitor da Universidade de São Paulo, instituiu os Fundos Universitários de Pesquisa para a Defesa Nacional, logo que o Brasil entrou na 2ª Guerra Mundial. Já em 1947, um grupo de pesquisadores e professores universitários, liderado por João Luiz Meiller e Adriano Marchini, submeteu à Assembléia Constituinte do Estado uma proposta que originou o artigo 123 da Constituição paulista.


Bem, foram necessários 13 anos de discussões para que o artigo fosse respeitado. Em 1960, a Assembléia Legislativa criou a Lei Orgânica 5.918, que autorizou a criar a Fundação. Assim, a Fapesp foi finalmente instituída em 23 de maio de 1962, pelo Decreto 40.132. Desde então, a Fundação investe em todas as áreas do conhecimento, faz difusão científica e promove a formação e o aperfeiçoamento de pesquisadores através de bolsas e auxílios à pesquisa.


Apesar desse sucesso, muito ainda há o que melhorar. Em São Paulo, somente 16,4% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior, incluindo a pós-graduação. Melhor que o resto do país, porém nos Estados Unidos da América tem 80%.


Monteiro Lobato já profetizou a solução para o Brasil há mais de 50 anos: ?uma nação se faz com homens e livros?. Apesar de todo mundo interpretar isso como ?Educação?, eu prefiro a minha interpretação pessoal: Educação de qualidade, técnica e profissionalizante. É preciso capacitar cada vez mais, de empregadas domésticas a doutores PHD.

* Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br).