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Exame de sangue pode prever se paciente com Covid-19 precisa ser hospitalizado

Publicado em 28 outubro 2020

Pesquisadores da USP identificaram que, no plasma sanguíneo de pacientes com a forma mais grave da Covid-19, há proteínas diferentes das que estão presentes em doentes não hospitalizados

Exame de sangue pode prever se paciente com Covid-19 precisa ser hospitalizado Pesquisadores da USP identificaram que, no plasma sanguíneo de pacientes com a forma mais grave da Covid-19, há proteínas diferentes das que estão presentes em doentes não hospitalizados

Foram três meses até os primeiros resultados. O estudo emergencial, que teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), mostrou que, no plasma sanguíneo de pacientes hospitalizados com a Covid-19, havia proteínas diferentes das que estavam presentes em doentes não hospitalizados. A pesquisa foi feita com 117 pessoas.

"A gente foi atrás desses marcadores no sangue, a gente identificou duas proteínas que são aumentadas em pacientes que são hospitalizados", explicou Giuseppe Palmisano, pesquisador da USP.

O exame não servirá como um substituto aos métodos de detecção do vírus já existentes e sim como um complemento importante para o tratamento.

"Ajudaria o médico a dizer: 'olha, esse paciente pode ficar isolado em domicílio ou pode ser encaminhado já para uma estrutura de mais complexidade, porque vai evoluir a doença'", afirmou o pesquisador. "A gente poderia pensar, por exemplo, em um tratamento antecipado, porque já teriam esses marcadores, e reduzir até as hospitalizações ou até a evolução mais agressiva da doença."

No Brasil, um dos grandes problemas com relação à Covid-19 é a falta de testagem em massa da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já sinalizou que as agências de todo o mundo devem priorizar estratégias para conter a disseminação do novo coronavírus, como testagem em todas as pessoas e não apenas naquelas que apresentam sintomas mais graves.

Para o infectologista Rinaldo Focaccia, do Hospital das Clínicas, que também participou da pesquisa, serão necessários mais seis meses para validar o estudo. A partir daí, os próprios laboratórios, que já possuem os equipamentos necessários, poderão fazer o exame.

"Embora seja uma molécula nova que foi identificada, há a possibilidade de ela ser dosada e identificada em um grande número de laboratórios distribuídos pelo País. A tecnologia empregada já é disponível na rotina e em centros de referência tanto públicos como privados no País."