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Jornal do Oeste (Toledo, PR) online

Exagero nas porções dos pratos feitos favorece aumento dos casos de obesidade

Publicado em 19 janeiro 2019

Uma pesquisa internacional, promovida pela Tufts University e com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realizada no Brasil, China, Finlândia, Gana e Índia apontou que o tamanho das porções de comida servidas em restaurantes populares contribui para o aumento da obesidade. Nesses países o volume calórico por prato feito pode ser 33% maior do que a de um lanche de fast food.

“Infelizmente aquele velho ditado usado pela vovó quando alguém servia o prato em demasia é uma triste realidade. Tem pessoas que possuem ‘os olhos maiores que a barriga’ e isso reflete diretamente na balança e na saúde”, pontua a nutricionista Deise Baldo. “O estudo traz novas projeções sobre o comportamento nutricional da população. Geralmente, uma de nossas principais preocupações era orientar sobre o consumo de fast food, contudo, estamos observando que as refeições completas também estão sendo feitas de maneira exagerada”.

Segundo as medições da pesquisa, o prato feito tradicionalmente brasileiro com arroz, feijão, mandioca, frango, pão e salada possui 841 gramas e 1.656 calorias. Sobre a pesquisa, Deise cita o dado que, na média, os fast foods ofertam refeições com 809 calorias, já as servidas à la carte, chegam a 1.317 calorias. A nutricionista explica que o estudo não avalia questões nutricionais, por isso, os índices não podem levar a conclusões equivocadas. “Isso não quer dizer que um lanche é mais saudável, mas sim que o prato feito, que deveria ser uma refeição completa em nutrientes e equilibrada. está ‘passando dos limites’ e está contribuindo com a obesidade”, justifica.

OBESIDADE

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a obesidade uma epidemia global. Aproximadamente 1,9 bilhão de adultos estão na categoria de sobrepeso, dos quais 600 milhões estão obesos. A nutricionista alerta que o organismo da pessoa obesa cria resistência à perda de peso. Ela cita que estudos apontam que à medida que ocorre a redução a ingestão calórica, também acontece o gasto reduzido de calorias, como se o corpo tentasse manter o mesmo peso.

“Depois que a pessoa ganha peso é preciso de determinação, disciplina e acompanhamento para poder perder o excesso. A recomendação é evitar o sobrepeso e, consequentemente, a obesidade. As refeições devem atender as necessidades nutricionais diárias, pois cada organismo é diferente. O ideal é evitar o consumo em exagero de fast food, como também não é preciso comer todo o alimento que compõe o prato feito. A saúde inicia com a conscientização em todos os sentidos”, finaliza.