Notícia

Agência C&T (MCTI)

Evento reúne quase 2.500 trabalhos

Publicado em 01 novembro 2007

Por Cinthia Leone, bolsista Fapesp

Um dos maiores do País em trabalhos apresentados, Congresso teve 206 pesquisas a mais que em 2006

O Congresso de Iniciação Científica (CIC), da UNESP chegou à sua 19a edição consolidando-se como um dos maiores do País na sua área em volume de trabalhos apresentados. Organizado pela Pró-reitoria de Pesquisa (Prope), o encontro somou 2.498 pesquisas. De 22 a 26 de outubro, os câmpus de Botucatu, Presidente Prudente, Ilha Solteira e Araraquara foram sedes do evento, reunindo respectivamente estudos de Ciências da Vida (que registrou 532 trabalhos), Exatas (663), Agrárias (349) e Humanas (954).

"O objetivo do congresso é integrar as diferentes unidades, divulgando os temas estudados, as metodologias e os resultados", argumentou o pró-reitor de Pesquisa, professor José Arana Varela.

Os três melhores estudos de cada área receberam um prêmio em dinheiro no valor de R$ 500,00 e duas viagens. A primeira será para a reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em julho de 2008, em Campinas. A outra, para a XVI Jornada de Jovens Pesquisadores da Associação das AUGM (Universidades do Grupo Montevidéu), em 2008, em Santiago, no Chile. O primeiro colocado de cada grande área pode ganhar, ainda, viagem de uma semana para conhecer universidades de Portugal, assim que o intercâmbio entre a UNESP e duas instituições daquele país for efetivado. Outras 7 pesquisas em agrárias e 10 nos demais segmentos obtiveram menções honrosas.

Produção de conhecimento

Os trabalhos selecionados são avaliados por professores e devem seguir as normas do congresso. Para a definição dos melhores estudos, há uma reavaliação feita por outros docentes e também por pós-graduandos — uma inovação adotada este ano. "A integração com os alunos de mestrado e doutorado pode ajudar a identificar novos recursos humanos para a pesquisa", afirma o professor Erivaldo Antônio da Silva, coordenador do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica).

Na avaliação final, também é levada em conta a apresentação do trabalho. "Estamos estudando a possibilidade de também premiar os melhores pôsteres e apresentações nos próximos congressos", afirma o coordenador. "Isso valorizará uma parte importante da pesquisa, que é a sua divulgação."

Iniciação científica (IC) é a pesquisa realizada durante a graduação. Ela pode ser desenvolvida desde o início do curso e deve ser orientada por um docente. O aluno envolvido pode ser bolsista ou não de IC. "A Iniciação Científica ajuda a preparar melhor o aluno não só para a pesquisa, mas também para a carreira profissional que escolheu", declarou o reitor Marcos Macari na abertura do congresso da área de Biológicas em Botucatu. "Temos a meta de dobrar nossos números em iniciação científica nos próximos anos", afirmou o vice-reitor Herman Voorwald no primeiro dia do evento em Presidente Prudente.


Apresentações diferentes

As apresentações das pesquisas em Ciências Agrárias, Biológicas e Exatas são feitas com a utilização de pôsteres fixados em locais reservados. O autor fica ao lado do cartaz por uma hora e, depois, circula por meia hora para conhecer outros estudos. "Isso é bom, porque nós podemos ter contato com pesquisas de outras unidades", afirma Maicon Henrique Cunha, estudante do 2o ano de Matemática, câmpus de Rio Claro.

Nas Ciências Humanas, é diferente: cada sala recebe cerca de oito pesquisadores, que falam sobre seus trabalhos por 10 minutos, com 5 minutos para debate. O mediador das apresentações é um professor da mesma área dos estudos.

O lazer dos participantes nos vários câmpus foi garantido por festas, como a "CIC e RG", promovida por uma república de estudantes de Presidente Prudente. Em Ilha Solteira, alunos se reuniram para conhecer as praias do Rio Paraná. Apesar da forte chuva, em Botucatu também aconteceram festas, e a organização do congresso distribuiu preservativos entre os jovens. Em Araraquara, um show no centro da cidade coincidiu com o encerramento do evento, atraindo muitos congressistas.

Alguns dos estudos desenvolvidos pelos estudantes

Formado em julho em Fisioterapia pelo câmpus de Marília, Carlos Alexandre Haemmerle analisou a ação do laser no combate à neuropatia diabética em ratos. Segundo ele, o laser tem uma ação benéfica no combate aos radicais livres, os causadores do mal. "A doença é uma complicação comum em diabéticos e pode levar à amputação dos membros inferiores", explicou.

Leandro Tosta, do 4º ano de Ciências Sociais, câmpus de Marília, entrevistou moradores de rua daquela cidade e fez um levantamento de dados sobre suas condições socioculturais e econômicas. "A administração pública quer dar a impressão de que não há mendigos no município, chegando a expulsá-los em alguns casos", criticou.

As fissuras presentes na madeira foram o tema de estudo de Marcel Yuzo Kondo, do 3º ano de Engenharia Industrial Madeireira, câmpus de Itapeva. "Observando a inclinação das ranhuras, pode-se determinar o melhor uso para cada tipo de madeira", comentou Kondo, que veio de Angola para estudar na UNESP.

Aluna do 4º ano de Geografia do câmpus de Presidente Prudente, Andrérika Vieira Lima Silva avaliou o impacto climático em plantações nas divisas entre São Paulo, Minas Gerais e Paraná. "As culturas mais afetadas por geadas são o café e o trigo", enfatizou. "Já a falta de água prejudica os milharais."

Bruna Gomes Rossin, colega de sala de Andrérika, investigou se as estiagens em São Paulo poderiam afetar a expansão canavieira. "O resultado mostra que a escassez de chuva verificada no Estado não afeta a cana", esclareceu. "Nas etapas de cultivo em que ela precisa de água, chove."

As técnicas atuais de motivação profissional foram o tema de Rodrigo Moreira Vieira, do 4º ano de Ciências Sociais, câmpus de Marília. "Houve uma transformação no significado do trabalho, que hoje é propagado como fonte de prazer e realização, além de ser visto como dádiva divina", assinalou.

Elen Poliani da Silva Arlindo, do 4º ano de Física, câmpus de Ilha Solteira, desenvolveu blendas de borracha natural e colágeno. "Blenda é a mistura de substâncias diferentes sem que haja reação entre elas", descreveu. "É o que ocorre entre a borracha da seringueira e o colágeno, que formam uma massa menos mole que borracha pura e menos quebradiça que colágeno, o que pode ser de grande utilidade para a indústria."

Dayane Aparecida Oliveira Silva e Marylaine Rebeca Duarte da Silva, do 4º ano de Física, câmpus de Presidente Prudente, propuseram o ensino de Física com base na demonstração do funcionamento de equipamentos eletroeletrônicos do dia-a-dia dos jovens. "Os alunos se interessam pela disciplina vendo sua aplicação prática no funcionamento de um motor ou de um celular, por exemplo", relataram.