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Universia Brasil

Evento promove inovação e empreendedorismo na Unesp

Publicado em 27 novembro 2012

Com foco no desenvolvimento científico e tecnológico do interior paulista, com destaque às áreas de agropecuária, biocombustíveis, a AUIN (Agência Unesp de Inovação) e a Rede Universia Brasil promoveram o I Fórum de Inovação, Desenvolvimento e Tecnológico do Interior Paulista. Realizado na FCAV (Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias), câmpus de Jaboticabal, na última segunda-feira (26), o encontro reuniu órgãos de fomento, pesquisadores, professores e estudantes de diferentes unidades universitárias para debater e incentivar iniciativas de inovação em processos e produtos.

"Nosso objetivo deve ser formar recursos humanos de alta qualidade, que tenham capacidades de gerar patentes, e, posteriormente, a inovação. E o encontro teve por objetivo formar esses quadros", ressaltou Ricardo Fasti, presidente da Universia.

Segundo informações do Portal Unesp, a ação marca uma política de fortalecimento da agência, com o objetivo de aumentar a parceria entre pesquisadores e empresas, e também o pedido de patentes. "Ouso dizer que uma universidade se fará grande tão grande seja sua agência de inovação", discursou o vice-reitor no exercício da Reitoria, Julio Cezar Durigan. "Nos próximos anos, o desafio será ampliar a Inovação, compreendida como transferência do conhecimento para toda a sociedade, implicando em uma mudança na mesma."

Durigan destacou que, durante sua gestão nos próximos quatro anos (2013-2016), será incentivada a extensão inovadora. Nessa perspectiva original, a Universidade amplia a potencialidade do Ensino-Pesquisa-Extensão, levando a sociedade conhecimentos, tecnologias e processos, com foco na geração de renda, inovação tecnológica, e de forma sustentável.

Inovação, deste ponto de vista, é a exploração com sucesso de novas ideias. E sucesso para as empresas seria um maior faturamento, acesso a novos mercados, menor desperdício de matérias-primas. Da perspectiva social, a geração de riqueza, redução da pobreza, podem ser considerados resultados de sucesso.

Nos últimos anos, o Brasil teve um crescimento muito grande nos dados que se referem a produção científica no pais, e passou a ocupar a 13ª posição em qualificações internacionais quanto ao número de artigos científicos publicados. No entanto, essa produção não se reflete nas transferências desses novos saberes para a sociedade, como mostra o ranking mundial de Inovação, que o país está em 47º lugar.

Para o presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Glaucius Oliva, alguns exemplos de parceria entre empresas e universidades são emblemáticos e demonstram a importância das cooperações para o desenvolvimento tecnológico e econômico de áreas estratégicas. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a relação com universidades, como a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), USP (Universidade de São Paulo) e universidades federais de Lavras, Pelotas, Viçosa, entre outras, segundo Oliva, levou o país a ser uma potência agropecuária. Por meio da pesquisa em biotecnologia e de maquinários, a empresa transferiu para empresas e sociedades tecnologias e processos que aumentaram a produção, diminuíram custos, e aumentaram a qualidade dos produtos nacionais.

Para fazer essa transferência, a empresa gera patentes e licenciamentos de produção para outras industrias, por exemplo, para a construção de equipamentos, e se utiliza de meios de comunicação para ensinar novos procedimentos no plantio ou no trato com animais para produtores rurais, de acordo com o chefe geral da Embrapa Instrumentação, Luiz Henrique Capparelli Mattoso. "O destaque para execução de projetos de parceria de centros de pesquisa com empresas, além do financiamento feito pela iniciativa privada, é que se busca resolver problemas específicos do mercado", salientou o chefe geral.

Outra forma de cooperação entre instituições de Ensino Superior e iniciativas é a formação de empresas spin-offs, ou seja, indústrias ligadas a laboratórios de pesquisa para a exploração de produtos e processos patenteados pela universidade. A diretora de novos negócios da spin-off Lychnoflora, Thais Guaratini, relatou benefícios que essa política institucional gera tanto para a empresa, quanto para a universidade. Para uma microempresa, ela passa a ter acesso de equipamentos caros e modernos, além da redução de custos e riscos para elaboração de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação).

Já a universidade se beneficia com os recursos vindos dos royalties, e tem uma ampliação dos temas de pesquisa, devido aos desafios apontados pela própria sociedade. "Uma das formas mais eficazes de se promover o desenvolvimento econômico e social a partir da interação entre as universidades e o setor empresarial, é o apoio à geração e sustentação de empresas de base tecnológica", falou Thais.

Financiamentos em pesquisas e desenvolvimento

O desenvolvimento tecnológico proveniente da inovação precisa de investimentos em pesquisas. No país, esse financiamento em grande parte é oriundo de instituições públicas. Para apresentar algumas linhas de fomento, os participantes do fórum tiveram palestras de representantes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Sérgio de Queiroz, coordenador adjunto para pesquisa e inovação, e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), a gerente do Departamento Regional Sul, Ana Paula Paschoini.

"O foco das linhas de financiamento para inovação está na relação empresa e centros de pesquisa, como as universidades, e pretendemos com isso é gerar o espírito empreendedor entre os pesquisadores, e sedimentar a ação inovadora entre os empresários, sobretudo nos micros e pequenos", relatou Queiroz.

Inovação na Unesp

A inovação na Universidade está intimamente ligada à pesquisa em áreas limites do conhecimento, como a nanotecnologia ou de impactos ambientais, segundo a pró-reitora de Pesquisa, Maria José Soares Mendes Giannini. Para ela, os estudos feitos nessas áreas devem ser colaborativos, com interação entre pesquisadores de diferentes unidades, diversas instituições do país e internacionais. "A pró-reitoria trabalha hoje para mapear as competências entre professores e jovens pesquisadores, para reuni-los em institutos e centros dedicados à pesquisa da Unesp", explicou.

A pró-reitora destacou a criação dos Institutos de Bionergeria, Internacional de Políticas Públicas. E também a UnesPetro, voltado para estudos de rochas carbonáticas e exploração das reservas de petróleo do pré-sal, feito em parceria com a Petrobras.

A Unesp é responsável por 22% da produção científica de São Paulo, e 8% nacional. Contudo, o número de pedidos de patentes é bem pequeno. Ao todo, a instituição possui 152 patentes. Em 2008, foram feitos oito solicitações. Se comparados ao número de publicações internacionais, de 2.870, o índice de patente por artigo, naquele ano, foi de 0,31. Por meio de reuniões e eventos promovidos pela agência, esse índice subiu para 0,52, em 2011, onde foram feitos 19 pedidos e 3.480 publicações.