Notícia

Portal do Governo do Estado de São Paulo

Evento na capital esclarece dúvidas sobre programa da Fapesp

Publicado em 15 agosto 2019

Por Gustavo Aleixo

Encontro apresentou ação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo para representantes de pequenas empresas

Nesta segunda-feira (12), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sediou o Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa, em São Paulo. O encontro reuniu 74 interessados em submeter propostas ao Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

O evento representou uma oportunidade de esclarecer dúvidas sobre as normas que conduzem a iniciativa. Vale destacar que a reunião integra de uma série de encontros para apresentar o programa para empreendedores.

Na ocasião, também ocorreu o lançamento da exposição “Pesquisa é desenvolvimento”, que homenageia a produção científica e tecnológica dos pesquisadores paulistas e está aberta à visitação no hall da Abimaq até 30 de agosto.

“A Abimaq tem dado muita ênfase à difusão da inovação tecnológica. Nos últimos anos, tem sido muito grande a velocidade com que a tecnologia vem sendo empregada em nossos produtos. Mas há um gargalo relacionado à falta de estrutura”, ressaltou o presidente da entidade, José Velloso, à Agência Fapesp.

De acordo com o presidente da Abimaq, apesar do gargalo, é preciso investir em tecnologia para que a indústria entre na “onda da digitalização”. “Daí a importância da Fapesp e de outros órgãos financiadores. A inovação tecnológica é fundamental”, completou.

Propostas

O Pipe apoia a execução de pesquisa científica e tecnológica em pequenas empresas, com até 250 empregados, sediadas no Estado de São Paulo. As propostas podem ser desenvolvidas em duas etapas: a Fase 1, de demonstração da viabilidade tecnológica do produto ou processo, com duração máxima de 9 meses e recursos de até R$ 200 mil; e a Fase 2, de desenvolvimento do produto ou processo inovador, com duração máxima de 24 meses e recursos de até R$ 1 milhão.

A Fase 3 do programa, voltada para o desenvolvimento e comercialização do produto, é financiada pela Fapesp em cooperação com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep).

O 4º ciclo de análise de 2019 do Pipe recebe propostas até 21 de outubro. Estão reservados até R$ 15 milhões para atendimento aos projetos selecionados. A chamada pode ser consultada pela internet.

Indústria 4.0

No evento, o diretor-executivo da Abimaq, João Alfredo Saraiva Delgado, abordou a importância das startups na implementação de soluções da indústria 4.0, assim como da agricultura de precisão e da internet das coisas.

Segundo a pesquisa “Indústria 4.0”, realizada no ano passado pela associação e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 97% das empresas têm interesse na indústria 4.0. Do total, quase 70% já estão fazendo a implementação, sendo que 24% afirmaram estar totalmente integradas e com investimentos concretos na área. A pesquisa foi realizada com 94 empresas de 16 setores industriais.

“No entanto, o estudo também mostra que a menor implementação está justamente nas pequenas e médias empresas. Assim, precisamos do Pipe e da Fapesp para difundir isso nas pequenas empresas”, salientou João Alfredo Saraiva Delgado à Agência Fapesp.

O evento também teve a apresentação de Jorge Gripp, diretor de Tecnologia da Autaza Tecnologia, empresa sediada em São José dos Campos, que obteve recursos para o financiamento de projeto de inspeção automática de qualidade de carrocerias automotivas.

Atualmente na Fase 3 do Pipe, a empresa ampliou o campo de atuação, atendendo também empresas do setor de vidro e aeronáutico. Outra expansão importante foi a recente abertura de um escritório nos Estados Unidos para atender clientes globais nos três setores.

Respostas

Na sessão de perguntas e respostas do evento, Douglas Eduardo Zampieri, coordenador-adjunto de Pesquisa para Inovação da Fapesp, explicou como deve ser formulado um projeto para o Pipe.

Uma dúvida recorrente da plateia estava relacionada à necessidade ou não de ter uma empresa constituída. “Na submissão, ainda não é necessário ter CNPJ. Cerca de 30% dos projetos aprovados, na realidade, são de empresas a serem constituídas. Quando o empreendedor receber a notícia de que sua proposta foi aprovada pelo Pipe, tem 60 dias para realizar os trâmites necessários”, explicou o coordenador-adjunto à Agência Fapesp.

A empresa deve estar sediada no Estado de São Paulo, onde também deve ocorrer a execução do projeto, uma vez que o financiamento é feito com recursos dos contribuintes paulistas. “O coordenador também deve morar no Estado, pois é exigida dedicação de 40 horas semanais à pesquisa. Já a contratação de consultores é livre”, acrescentou.

Douglas Eduardo Zampieri destacou que é possível submeter proposta diretamente para a Fase 2, desde que o projeto demonstre ter prova de conceito (normalmente finalizada na Fase 1) e um plano de negócios que informe o tamanho do mercado a ser atingido e projete, por exemplo, estimativas de venda nos três primeiros anos.

Também houve o questionamento se as propostas deveriam seguir algum tema ou área predefinidos. “Não existe área prioritária. Esporadicamente lançamos editais específicos, mas isso é explicitado. Na maioria das chamadas, a proposta pode estar vinculada a qualquer campo de pesquisa. Tende a estar muito ligada às necessidades do mercado”, explicou à Agência Fapesp Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da fundação.

Essa notícia também repercutiu nos veículos:
TN Petróleo online