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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Evento do Cemib discute modelos animais e criopreservação

Publicado em 25 novembro 2010

Por Hélio Costa Júnior

"Atualmente o número de camundongos de linhagens diferentes é muito grande por causa de manipulações genéticas. É impossível, para qualquer laboratório, possuir todos. Daí a necessidade de preservar, em nitrogênio líquido, os embriões desses camundongos para que eles possam ser utilizados em momentos precisos". A explicação foi dada pelo professor Humberto de Araújo Rangel, durante a realização do simpósio "Criopreservação de Embriões Murinos e Modelos Animais", evento aberto na tarde desta quinta-feira (25), no auditório 5 da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).

O simpósio, que está sob a organização do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica na Área de Ciência em Animais de Laboratório (Cemib), prossegue até esta sexta (26). Rangel fundou o Cemib em 1979 com apoio da Fapesp, da Finep e do CNPq. O Centro tem reconhecimento internacional e é o único representante do International Council for Laboratory Animal Science (ICLAS) na América Latina. 160 pessoas se inscreveram para o primeiro dia do simpósio. A programação completa pode ser consultada no link.

De acordo Rangel, o simpósio é consequência de um projeto do próprio Cemib. Ele tem como objetivo estabelecer um nível internacional dos trabalhos que são realizados na unidade. "Os métodos da criopreservação e o aparecimento de "novos modelos" são importantíssimos para a pesquisa médica e biológica. Doenças como o diabetes e também neurológicas já estão sendo utilizadas por pesquisadores nos "novos modelos", revelou o pesquisador que atua na área experimental do Cemib.

Sobre a criação de políticas de criopreservação, Rangel disse que o Brasil está, há pelo menos dez anos atrasado. "Nós estamos solicitando à universidade que assuma uma posição junto às agencias financiadoras, no sentido de se obter recursos para que se funde um banco de embriões de nível nacional. Isso ainda não existe. O que existem são bancos específicos. O Cemib está tentando ajudar nesta política".

Para Rovilson Gilioli, que acaba de assumir a direção do Cemib (mandato 2010-2013), há uma necessidade crescente de novos modelos animais geneticamente modificados que busquem suprir a necessidade de modelos animais similares (ou que simulem) doenças humanas. "Se não buscar a cura eles podem, pelo menos, nos fazer entender os mecanismos dos processos que provocam doenças para que possamos minimizar sofrimentos humanos. Existem muitas controvérsias em usar animais para experimentação. Na medida do possível nós devemos evitar. Mas é impossível deixarmos de utilizar o animal em uma etapa que necessite, por exemplo, de um teste de um fármaco. O simpósio é uma maneira que o Cemib encontrou para mostrar e divulgar a necessidade desses "novos modelos" dentro da Universidade. Só assim conseguiremos suprir a demanda dos nossos pesquisadores".

O diretor do Cemib também informou que o centro produz atualmente linhagens certificadas do ponto de vista genético e sanitário da maioria dos modelos normais (não geneticamente modificados). Além de Rangel e de Gilioli, a mesa de abertura do simpósio esteve composta pelos professores Mario Fernando de Goes, que representou o reitor da Unicamp Fernando Costa e o pró-reitor de Pesquisa Ronaldo Aloise Pilli; Ítala Maria Lofredo D"Otaviano, da Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen); Delma Pegolo Alves, organizadora do simpósio; Jean Louis Guenet, professor honorário do Instituto Pasteur de Paris; Lluis Montoliu, presidente da International Society for Transgenic Technologies (ISTT); Jorge Sztein, chefe da Unidade de Criopreservação e Tecnologias de Reprodução do National Institute Health (USA) e por Cecília Carbone, secretária geral e representante do Internacional Council Laboratory Animal Science.