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Tribuna do Norte (Natal, RN) online

Evento discute conhecimento genômico e suas aplicações

Publicado em 12 agosto 2005

A Liga Norte-Riograndense contra o Câncer promoveu ontem durante todo o dia no Hotel Ocean Palace, na Via Costeira, o simpósio "Conhecimento Genômico, Aplicações Clínicas e Implicações Éticas" pensando em compartilhar os esforços de pesquisas entre instituições de ensino na área específica do genoma humano do câncer e vislumbrando trabalhos futuros que atuem principalmente na melhoria do diagnóstico, prognóstico e tratamento da enfermidade.

O evento teve como objetivo atualizar pesquisadores, estudantes, residentes e profissionais em oncologia e/ou áreas afins quanto às formas de utilização do conhecimento genômico na prática clínica, e tampouco na reflexão às implicações éticas do uso desse conhecimento na pesquisa e na prática. "Temos que pensar que daqui a alguns anos será antiético deixar de utilizar esse tipo de conhecimento em algum paciente que necessite dele", enfatizou o diretor do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp e do Instituto Ludwing de Pesquisas sobre o Câncer, o professor Ricardo Brentani.

O Projeto Genoma Humano aponta uma perspectiva otimista para a maioria dos pravés dele, três mil doenças de natureza genética poderão alcançar a cura. "Nós precisamos irradiar esse conhecimento no Nordeste, pois as mudanças ligadas ao processo genômico irão transformar as técnicas nos próximos anos", afirma o superintendente da Liga, Ricardo Curioso, explicando a importância do simpósio para a categoria médica.

A ocasião veio confirmar que o país já é referência em todo o mundo em conhecimento genômico. "Em 2003 nós fomos reconhecidos como a segunda maior contribuição história para a área, apenas ficando atrás dos Estados Unidos", ressalta Brentani, lembrando que algumas das pesquisas do instituto já foram publicadas em revistas como a Cancer Research, o mais importante periódico na abordagem dos últimos avanços da ciência no que tange à doença.
"O que podemos considerar como resultados práticos acerca dos estudos e pesquisas nessa área é sem dúvida o fato de conseguirmos responder hoje a questões fundamentais para a evolução do paciente", diz Ricardo Brentani, pontuando às quais questões se refere: melhora do diagnóstico, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias; melhora no prognóstico, ajudando na resposta do paciente ao tratamento; e evolução da qualidade de vida do paciente em tratamento, que ganha mais chances de cura ou mais tempo em sobrevida.

RN deve participar de novas pesquisas
Projeto Genoma Humano foi iniciado em São Paulo e nele, uma das iniciativas estabelecidas como prioritárias diz respeito ao genoma do câncer. De acordo com a coordenadora de pesquisa do Departamento de Ensino, Pesquisa e Educação Comunitária, Cristina Dal Pian, o Rio Grande do Norte está se estruturando para poder participar dessas pesquisas em convênio com o Hospital do Câncer A.C Camargo, pioneiro em todo o país.

A Liga Norte-Riograndense contra o Câncer elaborou um projeto para implantação de uma Unidade de Pesquisa Clínica e Oncologia que envolve a efetivação de um Banco de Tumores, entre outras iniciativas; bem como a formação de pesquisadores. "Nesse projeto, uma das áreas estratégicas é a radioterapia e quimioterapia", explica a coordenadora. Com isso, os pesquisadores objetivam diminuir a toxidade do tratamento, por vezes muito invasivo, provocando a debilitação do paciente, que porventura nem necessite daquela determinada intervenção.

"O nosso maior avanço tem sido no conhecimento sobre o comportamento de certos tipos de tumores, fazendo com que se saiba mais seguramente quais pacientes responderão ao tratamento e se a dose funciona ou não", explica Cristina Dal Pian, acrescentando que todas essas pesquisas contribuem para o aumento e qualidade da sobrevida e o tratamento do paciente.