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Eustáquio Gomes será enterrado neste sábado, às 11h

Publicado em 31 janeiro 2014

Por Bruno Bacchetti

O jornalista e escritor Eustáquio Gomes, de 61 anos, morreu nesta sexta-feira (31) após sofrer um infarto enquanto dormia. Vítima de um acidente vascular cerebral anos atrás, Eustáquio convivia com sequelas na fala e visão, mas sua morte pegou amigos e familiares de surpresa.

O velório do jornalista foi realizado no final da tarde desta sexta, no Cemitério Parque Flamboyant, e o sepultamento ocorre neste sábado, às 11 horas, no Cemitério das Aléias.

Nascido no povoado de Campo Alegre (MG) em 1952, o filho de lavradores se formou em jornalismo pela PUC-Campinas e seguiu na carreira acadêmica, tornando-se mestre em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Trabalhou nas áreas de comunicação das empresas Bosch do Brasil e White Martins e foi o responsável por implantar a Assessoria de Comunicação da Unicamp, em 1982.

O jornalista foi colaborador do Correio Popular e da Revista Metrópole, do Grupo RAC, tendo publicado cerca de 800 crônicas, além de reportagens especiais e entrevistas culturais. Eustáquio Gomes também é autor de 16 livros, entre eles A Febre Amorosa (1994), seu livro mais conhecido e que foi adaptado para o teatro em 1996 e traduzido para o russo em 2005. Cavalo Inundado (poemas, 1975), Mulher que Virou Canoa (contos, 1978) e Os Jogos de Junho (novela, 1982) foram algumas das obras publicadas pelo escritor.

Para o diretor de redação do Grupo RAC, Nelson Homem de Mello, Eustáquio Gomes foi um jornalista diferenciado. "As crônicas que ele fez por muitos anos para a Revista Metrópole marcaram uma época em Campinas", disse.

O jornalista Roberto Godoy, d´O Estado de S. Paulo, lamentou a morte do amigo de muitas décadas, e relembrou histórias do passado. "Uma coisa que poucas pessoas sabem é que quando saí do Correio, em 1971, para vir a São Paulo, o indiquei para minha vaga e ficamos amigos. A morte era muito presente em suas crônicas, mas nunca de forma melancólica", afirmou. "Eu e o Moacir Castro (colunista do Correio) estávamos preparando uma visita, embora nem sabíamos se ele poderia nos receber. Mas não tivemos tempo", acrescentou Godoy.

Reitor da Unicamp entre 1990 a 1994, Carlos Vogt revelou que a paixão do jornalista e escritor pela literatura fortaleceu o laço de amizade entre eles. "Conhecei o Eustáquio na Unicamp na época em que ele começou na assessoria de imprensa. Consolidamos nossa relação tanto por força de nossas atividades quanto pelos nossos interesses pela literatura e romance. Era um romancista de primeira linha", destacou Vogt.

Para o atual reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, a relação entre eles ultrapassou os muros da Universidade e se transformou numa grande amizade. "Além do jornalista brilhante, que implantou a área de comunicação na Unicamp e notabilizou-se pelo estilo inconfundível de suas crônicas, Eustáquio Gomes sempre foi um amigo que aprendi a admirar pela generosidade e inteligência. Nossa relação pessoal transcendia às questões institucionais e se baseava numa profunda e sincera amizade", afirmou.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reitor da Unicamp de 2002 a 2005, recordou a relação próxima com o jornalista e lamentou a perda. "Eustáquio amou muito Campinas e a Unicamp. Como professor, diretor de unidade, e reitor, tive o privilégio de conviver intensamente com o Eustáquio, aprender com suas histórias sobre a formação da Unicamp, e de me beneficiar com sua sabedoria e visão do mundo. Ele vai nos fazer falta", comentou.