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Tribuna da Imprensa

EUA lideram pesquisa com etanol de celulose

Publicado em 23 junho 2008

A empresa Verenium inaugurou a três semanas a primeira usina do país para produção de etanol de celulose em escala pré-industrial. A fábrica, prevista para entrar em operação no mês que vem, vai produzir 14.500 litros de álcool por dia a partir da fermentação do bagaço de cana-de-açúcar.

O etanol de celulose é visto como o grande salto tecnológico dos biocombustíveis para o futuro, e o bagaço de cana é a matéria-prima na qual o Brasil aposta para entrar nesse mercado. Só tem um detalhe: a empresa não é brasileira, é americana, e a usina não fica no Brasil, mas nos Estados Unidos.

O projeto é mais um sinal de que o Brasil, líder no etanol “clássico” feito a partir do caldo de cana, corre o risco de ficar para trás na corrida pelo etanol de “segunda geração”, produzido a partir da celulose.

A Verenium é uma de várias empresas americanas fazendo pesquisas nessa área, apoiadas por investimentos milionários do Departamento de Energia dos EUA. Visando a reduzir sua dependência no petróleo, os Estados Unidos têm como meta produzir 79,5 bilhões de litros de biocombustíveis até 2022, dos quais 60,5 bilhões deverão ser etanol de celulose.

O Brasil, por sua vez, tem pouco a mostrar fora dos laboratórios. A indústria Dedini trabalha desde 2002 com um planta piloto na Usina São Luiz, em Pirassununga, no interior paulista. A planta tem capacidade para produzir 5 mil litros de etanol de celulose por dia, mas funciona apenas ocasionalmente, em caráter experimental, e deverá ser desativada em breve. A empresa tem um projeto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para construir uma nova unidade experimental, talvez em Piracicaba.

Outra planta piloto fica no câmpus do Centro de Pesquisas de Petrobrás (Cenpes), no Rio. A unidade foi inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro, mas, segundo fontes de fora da empresa, nunca funcionou plenamente.

A pesquisadora Lídia Santa Ana, responsável pelo projeto, nega. “Estamos trabalhando muito”, diz. Segundo a Petrobrás, a planta tem capacidade para produzir 220 litros de etanol por tonelada de bagaço. A meta é chegar a 280 litros. “Estamos realizando vários testes para tirar parâmetros de escalonamento e otimizar o processo”, afirma Lídia. A Petrobrás não permitiu que o Estado visitasse a planta.