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Etanol de 2ª geração se une a produção de biogás

Publicado em 06 fevereiro 2012

Por Andréia Moreno

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pretende unir a produção do etanol de celulose à produção de biogás e usar os resíduos do processo como fonte de energia para as usinas. Essa idéia faz parte do projeto de pesquisa "Otimização de pré-tratamento de biomassa e hidrólise para maximizar a produção de biogás a partir de resíduos agroindustriais" financiado pela FAPESP e realizado em parceria com pesquisadores do Institut National de la Recherche Agronomique (Inra), da França.

Aline Carvalho da Costa, coordenadora da pesquisa, explica que o bagaço de cana que sobra da fabricação do etanol de primeira geração é hoje queimado e usado pela indústria como fonte de energia elétrica ou térmica em forma de vapor. "Quando usamos esse bagaço para fabricar o etanol de segunda geração, conseguimos recuperar apenas 32% da energia que seria obtida com a queima em caldeira", diz a engenheira química.

Mas no modelo proposto pelos pesquisadores, é possível recuperar cerca de 65% da energia, o que proporciona aumento da produção de biocombustível líquido, que pode ser usado para transporte e, por isso, tem um apelo econômico maior. "Além disso, o biogás e os demais resíduos podem ser usados como fonte de energia para a indústria, substituindo o bagaço", ressalta Costa.

Além da celulose usada na produção do etanol de segunda geração, o bagaço de cana contém hemicelulose - substância composta por açúcares de cinco carbonos chamados pentoses - e lignina - material estrutural da planta, responsável pela rigidez, impermeabilidade e resistência dos tecidos vegetais.

A pesquisadora afirma que a lignina que sobra depois do pré-tratamento pode ser queimada e usada como fonte de energia. "O mesmo pode ser feito com o resíduo sólido que sobra após a hidrólise. Mas, quando se fala em etanol de segunda geração, a grande pergunta é: o que fazer com as pentoses? Tivemos então a ideia de transformá-las em biogás", explica.

No caso da palha da cana, por meio de um processo de digestão anaeróbica, feito por um conjunto de bactérias capazes de degradar a matéria orgânica, os pesquisadores conseguiram transformar essas pentoses em biogás. "Essa etapa da pesquisa foi realizada na França, país com muita experiência na produção de biogás a partir de vários resíduos, e contou com a participação de minha aluna de doutorado Sarita Cândida Rabelo", lembra Costa. O doutorado teve apoio de Bolsa da FAPESP.

Buscando tornar mais eficiente e barata a transformação de celulose em etanol, os pesquisadores também compararam dois tipos de pré-tratamento - um feito com cal e outro com peróxido de hidrogênio alcalino. O último se mostrou mais promissor, uma vez que necessita de menos tempo e não deixa resíduo na biomassa.

"Essa etapa ainda precisa ser mais amadurecida para tornar o etanol de segunda geração competitivo", ressalta Costa.

De acordo com ela, o uso de todos os resíduos do processo de produção, é provavelmente a única forma de tornar o produto economicamente viável e ambientalmente sustentável. "Nossa grande contribuição foi mostrar que o licor de pré-tratamento, rico em pentoses, tem grande potencial para produção de biogás. Embora várias alternativas de aproveitamento das pentoses venham sendo estudadas, nenhuma é ainda definitiva", afirma. (Fonte: Agência Fapesp)