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Etanol: biocombustivel brasileiro pode substituir 10% da gasolina mundial

Publicado em 05 dezembro 2008

O Brasil tem condições de produzir biocombustível suficiente para substituir pelo menos 10% de toda a gasolina consumida mundialmente. Mas, para que isso ocorra, a tecnologia tem que estar no campo e na própria planta, a cana-de-açúcar.

Essa foi uma das conclusões do Workshop Instrumentação e Automação Agrícola e Agroindustrial na Cadeia Cana-Etanol, realizado no âmbito do Projeto de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da Cadeia Cana-Etanol apoiado pela FAPESP na sexta-feira (28/11), na Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos, interior de São Paulo. As informações partem da Agência Fapesp.

Para atingir a meta dos 10% da gasolina mundial, o país precisaria cultivar cerca de 35 milhões de hectares de cana-de-açúcar. "Mas, com a introdução das novas tecnologias no campo, seja em instrumentação e automação agrícola ou na pesquisa genômica da cana-de-açúcar, esse número poderá cair para 20 milhões de hectares ou menos. Por isso, é fundamental identificar as principais necessidades de pesquisa para que possamos nos consolidar como o maior produtor mundial de etanol", disse Luís Augusto Barbosa Cortez, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do PPPP da Cadeia Cana-Etanol.

Os Estados Unidos são atualmente o maior produtor mundial de etanol, com o combustível produzido a partir do milho. O Brasil ocupa a segunda posição, com o álcool combustível derivado da cana-de-açúcar. "Neste momento, em que o mundo discute o forte potencial das energias renováveis, a agricultura e a ciência brasileira estão juntas, assim como também vem acontecendo com os setores público e privado, contribuindo para o desenvolvimento do país. A agricultura não vai avançar se não tiver a ciência ao seu lado", disse Silvio Crestana, presidente da Embrapa, na abertura do workshop.

Para Crestana, a cana tem um forte potencial de ser reconhecida como uma importante fonte de energia. A planta é composta por três partes: a sacarose, a palha e o bagaço, sendo um terço para cada uma. A primeiro já tem um número grande de utilização, o que não acontece com as outras duas partes. Trabalhar o conceito de cana-energia é o grande desafio da ciência hoje, ressalta o presidente da Embrapa. Mas não é só isso. "Também é necessário definir estratégias para alavancar o setor", defendeu Orlando Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Entre elas ele sugere a criação de novos institutos dedicados à pesquisa em cana-de-açúcar.

Entretanto, o Brasil lidera com folga quando se trata do números de artigos científicos publicados referentes às pesquisas com cana-de-açúcar. Considerando apenas o Estado de São Paulo, ele disputa a segunda colocação com os Estados Unidos. Entretanto o Brasil amarga uma terceira posição quando se trata de artigos científicos relacionados ao etanol extraído da biomassa e fora do grupo dos três primeiros quando o assunto é pesquisas de etanol de segunda geração (em ambos os casos os Estados Unidos lideram). Não é a toa que os setores público e privado vêm se esforçando em ações conjuntas quando o assunto é biocombustível.

"É o conhecimento científico que vai estimular políticas públicas e o investimento de recursos", afirmou Castro.

Também participaram da abertura do evento Álvaro Macedo da Silva, chefe-geral da Embrapa Instrumentação Agropecuária, o prefeito de São Carlos, Newton Lima Neto, o coordenador do workshop, Ladislau Martin Neto, a vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), sede Ribeirão Preto-SP, Alessandra Bernuzzi, o diretor do Centro de C&T do Bioetanol, Marcos Aurélio Pinheiro Lima e Dioníso Maraguti, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Carlos.

O workshop atendeu às expectativas dos organizadores, de funcionar como um espaço para discussões técnicas de orientação de pesquisa. Foram debatidos quatro temas, tendo como objeto principal a instrumentação e a automação agrícola na produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.

As pesquisas apresentadas destacaram o que vem sendo desenvolvido nas universidades, institutos de pesquisas e nos departamentos de pesquisa e desenvolvimento de empresas do setor de cana, açúcar e álcool, tendo em vista o forte potencial do etanol e sua posição no mercado mundial em um futuro próximo.

O primeiro tema foi Biorrefinaria virtual, que teve como palestrante Antonio Bonomi, do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol. Em seguida, Rubens Maciel Filho, do Departamento de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas, falou sobre Etanol de segunda geração: desafios para a instrumentação e automação. As palestras "Agricultura de precisão em cana-de-açúcar" e "Logística na produção de cana-etanol" completaram o workshop.

As informações partem da Agência Fapesp.