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Bragança Jornal Diário

ESTUDOS SOBRE A MATA ATLÂNTICA, PUBLICADO NOS ESTADOS UNIDOS, TEM PARTICIPAÇÃO BRAGANTINA

Publicado em 01 maio 2012

Um estudo científico so­bre a história ambiental da Estação Ecológica Jureia-ltatins, uma das áreas de Mata Atlântica mais bem preservadas que existem no Brasil, que foi publicado no início do ano em uma das mais importantes revistas ci­entíficas que tratam de vari­ações ambientais na terra, teve participação de um pes­quisador bragantino.

O estu­do intitulado “Geochemical evidence of the 8.2 ka event and other Holocene environ­mental changes recorded in paieolagoon sediments, sou­theastern Brazil — Evidência geoquímica do evento 8,2 ka e outras mudanças ambien­tais do Holoceno registradas em sedimentos paleolagunais no Sudeste do Brasil -, publicado na revista cientí­fica Quaternary Research, editada nos Estados Unidos, contou com a participação de Paulo Eduardo de Olivei­ra, professor universitário e também diretor do Bragança - Jornal Diário e do Cida­de de Bragança.

“Este estudo envolveu pesquisadores de diferentes institutos de pesquisa e universidades brasileiras e uma americana e teve como alvo de estudo a história ambiental da região da Jureia, no litoral sul do Estado de São Paulo. Minha participação envolveu as análises botânicas enquanto outros pesquisadores se con­centraram nas análises geo­lógicas, químicas e outras técnicas”, afirma o pesqui­sador. Segundo ele, o traba­lho tem grande importância, pois retrata o comportamen­to da Mata Atlântica num momento cm que a Terra estava passando por um aquecimento global, depois do término das glaciações. “Por volta de 8.200 anos atrás grandes blocos de ge­leira no hemisfério norte es­tavam iniciando sua frag­mentação devido ao clima mais quente após a fase de esfriamento global com derretimento de grandes mas­sas de gelo. Isso causou um aumento do nível do mar. No Brasil essa mudança está re­gistrada especialmente após 7.500 anos atrás. Com o au­mento global do nível do mar, a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados fo­ram afetados pela influência marinha”, afirma.

Um resul­tado dessas alterações foi a expansão dos manguezais e a retração da floresta de Mata Atlântica em direção à encosta da Serra do Mar. O jornalista bragantino que também é professor de Ges­tão Ambiental da Universi­dade São Francisco (USF) e professor colaborador do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) explica que o projeto foi financiado pela Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e en­volveu, além dos pesquisa­dores, alunos de graduação e pós-graduação em várias instituições científicas. “O grupo envolveu o trabalho de cerca de 15 profissionais, pois trata-se de pesquisa multidisciplinar, onde cada um contribui cora sua, especialidade”, declara.

IMPORTÂNCIA

Segundo o pesquisador bragantino, a importância do estudo deve-se ao fato de que eventos que ocorreram no passado podem auxiliar os cientistas a preverem com maior certeza as mudanças que poderão ocorrer na Ter­ra caso a hipótese do aque­cimento global seja realmen­te comprovada. “O mundo de 8.200 anos atrás era relativamente parecido ao atual, pois enfrentava um derretimento generalizado de gran­des geleiras que even­tualmente fizeram o nível do mar subir até quase 5 metros na costa brasileira. Ao en­tender os efeito das mudanças ambientais, os cientistas poderão sugerir aos governos dos países um cenário mais concreto sobre as mudanças que deverão ocorrer na Terra nos próxi­mos 100 anos”, divulga.