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Jornal do Brasil

Estudos provam que rock faz mal à audição

Publicado em 29 janeiro 1996

Por NELSON FRANCO JOBIM - Correspondente
LONDRES - O que as velhas gerações sempre disseram acaba de ser confirmado pela ciência: aquele "barulho ensurdecedor" de guitarras distorcidas produzido pelas bandas de heavy metal ensurdece mesmo. Novas pesquisas indicam que concertos de rock com milhares de watts de potência e discotecas que tocam música a todo volume a noite inteira podem provocar em jovens problemas de audição que normalmente só costumavam aparecer depois dos 60 anos. Um estudo feito com 1.364 pessoas de 14 a 40 anos na cidade de Nancy, na França, revelou que, entre os que vão a concertos de rock pelo menos uma vez por mês. 44% apresentaram sintomas de surdez. O estudo foi publicado no jornal inglês The Independent. Os sintomas mais comuns são um zumbido no ouvido e a perda temporária da audição. Entre os que vão a mais de dois shows de rock por mês, a incidência do problema cresce para dois terços. Na Grã-Bretanha, um estudo semelhante feito em Nottingham, pelo Conselho de Pesquisas Médicas, avaliou a audição de jovens que vão regularmente a discotecas. A pesquisa constatou que eles se queixam três vezes mais de zumbido do que a média. O médico responsável pelo estudo, Adrian Davis, afirma que 30% dos jovens britânicos se submetem a níveis de ruído excessivos. O nível de ruído em shows de rock e clubes noturnos supera com freqüência os 100 decibéis, enquanto o limite legal estabelecido pelas autoridades britânicas em fábricas e outros ambientes de trabalho é de 85 decibéis durante oito horas. Não há limites legais de ruído para atividades de lazer. Os próprios roqueiros estão sentindo a força de seus amplificadores. Pete Townsend, guitarrista do The Who, e os integrantes da banda Metallica estão com sérios problemas de surdez. Muitos grupos de rock passaram a usar protetores de ouvido durante shows e ensaios para poupar seus tímpanos - enquanto massacram os do público. BRITÂNICO TEME PRAGAS GENÉTICAS Modificações genéticas de plantas e animais poderiam tornar-se novas pragas ambientais, de gravidade equiparável à do buraco na camada de ozônio. O alerta foi dado pelo Comitê de Desenvolvimento Sustentável do governo britânico, que, pede urgência na criação de um novo sistema de regras para a biotecnologia. As atuais, segundo o comitê, permitem que alterações genéticas sejam feitas de modo "muito desastrado". ENZIMA É CAUSA DO MAL DE GEHRIG Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles e da Universidade de La Hoya, em San Diego, descobriram a causa da doença de Lou Gehrig, mal hereditário que mala por degenerarão dos músculos. Agora se sabe que uma enzima produzida por um gene defeituoso destrói células nervosas no cérebro e na medula, o que acaba com o controle motor.