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Estudos aprimoram uso de micro-tecnologia na biomedicina

Publicado em 14 março 2015

Pesquisa do professor Adriano Mesquita Alencar, do Instituto de Física (IF) da USP, em parceria com Luciana Ramos, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e com o professor Arnan Mitchell, da RMIT University (Austrália) irá estudar a fabricação de plataformas microfluídas para pesquisas biomédicas utilizando cerâmicas sinterizadas em baixa temperatura (LTCC). O projeto está entre as seis propostas selecionadas recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na primeira chamada conjunta para projetos de intercâmbio entre pesquisadores do Estado de São Paulo e a Australian Technology Network of Universities (ATN), no âmbito do acordo de cooperação científica firmado entre as duas instituições.

A Fapesp financiará em reais o equivalente a até AU$20,000 (vinte mil dólares australianos) anuais por proposta e a ATN financiará até AU$20,000 anuais por proposta, pelo período de vigência estabelecido na concessão, para cobrir despesas de mobilidade (passagens, diárias e seguro-saúde).

Segundo o professor Alencar, a parceria de pesquisa estabelecida entre o IF, a RMIT University, da Austrália e o IPT , visa explorar o uso de micro-tecnologia para o estudo de fenômenos biomédicos. Essa tecnologia de microfluídica integrada a estruturas de microeletrônica permite, por exemplo, estudar a separação e manipulação de partículas com volumes da ordem de picolitros, ou seja, hoje, quando se realiza um experimento com reagentes, usualmente, existe uma quantidade mínima de reagente que uma pessoa pode utilizar para fazer uma mistura de por exemplo: 1/3 de um reagente A com 2/3 do reagente B.

Precisão

Essa quantidade mínima está vinculada com a precisão que se tem para medir essas quantidades. Usualmente as unidades utilizadas são mililitros (1/1,000 do litro). Com a microfluídica, consegue-se gotas da ordem de picolitro 1/1,000,000,000,000 do litro. Dessa forma, pode-se multiplicar a velocidade de reação dos reagentes e a precisão, com enorme economia de materiais. Para o professor, é esperado que os resultados finais deste projeto permitam a criação de dispositivos em miniatura capazes de manipular e selecionar células e fluídos biológicos para pesquisas, completamente embalados em dispositivos microscópicos, com alta confiabilidade e uso a longo prazo. Este projeto também irá focar no desenvolvimento de plataformas microfluídicas para o estudo das propriedades reológicas de células vivas, um ramo da ciência denominado “órgão em um chip”.

O alcance da pesquisa com a microfluídica está relacionado com a sua aplicabilidade imediata, algumas empresas farmacêuticas já utilizam essa tecnologia para fazer medicamentos com maior precisão. Nesse caso, para a empresa há redução de custos, pois diminui o desperdício de matérias primas e para o paciente, existe a diminuição a exposição ao risco de ingerir mais medicamento do que precisa.

Para exemplificar, o professor Alencar aponta o caso da pessoa que precisa ingerir 1 miligrama de um medicamento qualquer, se o equipamento que empacota a droga no comprimido tem um erro de 10% (levando-se o raciocínio ao extremo), a empresa tem que produzir cada comprimido contendo 1.12 miligramas da droga (1.12 menos 10% igual a aproximadamente 1.0). Ora, essa é a única forma de a empresa garantir que em cada comprimido contenha pelo menos 1 miligrama da droga. Isso é crucial em alguns casos. Aumentar a precisão, portanto, permite que o paciente tome exatamente o que ele precisa para se tratar, reduzindo sua exposição a droga, e a empresa economiza 0.12 miligramas para cada comprimido produzido.

Mais informações: (11) 3091-6965

Da Assessoria de Comunicação do IFUSP

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