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Estudos analisarão o cenário detalhado da inovação no Estado

Publicado em 03 junho 2019

Por Agência FAPESP

Parceria entre Fapesp e INPI permitirá o desenvolvimento de pesquisas sobre indicadores de ciência e tecnologia em SP

Um acordo firmado entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) propõe a realização de um conjunto de estudos, nos próximos cinco anos, que traçarão o cenário da inovação no território paulista.

A parceria, celebrada no dia 9 de maio, surgiu por iniciativa da Gerência de Estudos e Indicadores da Fapesp, criada em 2017 e vinculada à presidência do Conselho Técnico-Administrativo (CTA). Entre as atribuições da Gerência está a organização de um banco de dados atualizado e padronizado que contemple as principais informações necessárias à formulação sistemática dos indicadores de ciência, tecnologia e inovação para o Estado.

“O acordo é muito importante para Fapesp e INPI, mas também para todas as instituições de ciência e tecnologia de São Paulo. Melhores indicadores permitem formular melhores políticas e compreender como tem evoluído nosso sistema de inovação. Sem métricas e sem indicadores não sabemos de fato para onde estamos indo”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do CTA da Fundação, à agência Fapesp.

Produção científica

A divulgação de indicadores da produção científica e tecnológica do Estado é parte das atribuições da Fapesp. Entre 1998 e 2010, a Fundação publicou quatro livros sobre o tema, que desde então passaram a ser divulgados em boletins e em seções especializadas da revista Pesquisa Fapesp.

Os estudos que serão realizados em parceria com o INPI devem trazer dados ainda mais detalhados, auxiliando a identificar os impactos reais ou potenciais das atividades científicas e tecnológicas realizadas em São Paulo sobre a sociedade e a economia.

“O número de pedidos de patentes é um dos principais componentes dos indicadores de resultados da atividade científica e tecnológica. Por isso buscamos a parceria com o INPI, instituição responsável pelo registro de patentes no Brasil”, ressaltou à Agência Fapesp Sinésio Pires Ferreira, gerente de Estudos e Indicadores da Fundação.

O gerente salientou que os dados levantados serão usados exclusivamente para fins estatísticos. Nenhuma informação individualizada será passível de acesso por terceiros.

Patentes

O primeiro estudo previsto no acordo, a ser realizado no próximo ano, pretende descobrir com quem certas instituições a serem selecionadas, como as universidades públicas, se associam para gerar inovações protegidas por patentes.

As parcerias firmadas para a geração de patentes serão ainda tema de outro estudo, que terá como foco as empresas apoiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe). O objetivo, nesse caso, é conhecer a dinâmica patentária dessas empresas em comparação a outras não beneficiárias do programa a serem selecionadas.

Apenas analisar as patentes, no entanto, não é suficiente para traçar um quadro mais amplo do ambiente de inovação do Estado, de acordo com especialistas. O depósito de uma patente muitas vezes só foi possível porque estudos preliminares foram realizados pelo próprio inventor ou por outros pesquisadores, que nem sempre registram suas invenções.

Por esse motivo, um terceiro estudo pretende verificar as citações contidas nas patentes, como artigos científicos e outros dados semelhantes. O último estudo a ser conduzido por meio da parceria pretende identificar eventuais distorções de interpretação dos registros das patentes.

Registros

Ensaios preliminares indicam que várias pessoas físicas que registraram pedidos de patentes são dirigentes de empresa. Esses registros, portanto, assemelham-se mais aos oriundos de pessoas jurídicas do que aos gerados por inventores individuais. Os resultados contribuirão para aprimorar a interpretação dessas informações e traçar um quadro mais preciso da produção de inovação por empresas.

De acordo com Sinésio Pires Ferreira, os estudos devem trazer novas perspectivas, identificar problemas e proporcionar uma melhor interpretação dos indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Estado, oferecendo bases para aprimorar a gestão dos recursos.