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Diário de Guarulhos

Estudos alertam sobre ocupação da serra

Publicado em 12 novembro 2009

A Universidade Guarulhos (UnG) acaba de realizar uma pesquisa sobre a formação do solo de Guarulhos e suas consequências no clima e na vida da comunidade. Ela foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e teve a colaboração da secretaria do Meio Ambiente de Guarulhos, do Instituto Florestal e da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). Os trabalhos foram coordenados pelo geoólogo Antonio Manoel dos Santos Oliveira, professor de Mestrado em Análise Geoambiental, auxiliado por uma equipe formada pela arquiteta Sandra Emi Sato, pelo geógrafo Willian de Queiros e pelo geólogo Márcio Roberto Magalhães de Andrade, da secretaria do Meio Ambiente.

A estudante do sexto semestre de Iniciação à Pesquisa, Denia Aparecida Soares da Silva, elaborou a maquete que ilustra os trabalhos. Foram três anos de estudos, e o resultado será apresentado oficialmente no dia 16 de novembro, às 19h30, no auditório F da UnG, na Praça Tereza Cristina, nº 1, no Centro.

Foram elaborados alguns mapas enfocando o município em diversos perfis. Eles dividem Guarulhos em duas partes, sul e norte.

O sul faz limite com o município da capital. O terreno é plano e o solo sedimentado. Foi onde se iniciou a ocupação, e onde estão os bairros centrais. É por onde passa o rio Tietê, o Baquirivu e todos os afluentes que nascem na parte norte. Esta limita-se com Mairiporã, Nazaré Paulista e Santa Isabel. Nela predominam as serras da Mantiqueira, cujo ponto culminante é o pico de Itaberaba e a Serra da Cantareira, que na região do Cabuçu é chamada de Pirucaia. O solo é cristalino, formado por rochas, que não absorve água. Por isso, segundo o professor Antonio Manoel, a água das chuvas desce diretamente para a baixada, na parte sul, provocando inundações e deslizamento de terra. A vegetação abundante na região ainda ajuda a absorver um pouco a água, mas, segundo o professor, na medida em que os morros vão sendo ocupados e a vegetação diminuindo, o risco agrava-se.

A falta de vegetação, as ruas asfaltadas e o cimento que cobre a maioria dos terrenos centrais, além de contribuir com o empoçamento das águas, provoca o aquecimento exagerado da parte central da cidade.

Uma imagem termal computadorizada sobre o mapa da cidade mostra essa diferença climática, em cores que vão do vermelho mais carregado ao azul mais suave. O vermelho, que representa alta temperatura é a cor predominante na parte sul, com exceção do Bosque Maia e da Base Aérea, regiões arborizadas. O vermelho mais carregado representa a área industrial, na região de Cumbica. A parte norte apresenta tons mais suaves, que indicam clima mais ameno.

"Os empresários sabem o valor do verde", lembra o professor. "Em regiões onde predomina o verde, os apartamentos de frente custam 40 por cento mais caro. Se eles usufruem do verde que é de todos, porque não o preservam em suas propriedades?"

O mapa do boi

Um dos mapas apresentados tem o pitoresco nome de "mapa do boi". É uma alusão à tradicional figura que mostra o corpo do bovino dividido em diferentes tipos de carne. Esse mapa delineia as regiões do município entre as mais apropriadas e as menos apropriadas à habitação, "do filé à carne de pescoço". Por meio dele o poder público pode encaminhar as futuras populações às regiões mais apropriadas, impedindo a ocupação de áreas de risco ou onde possam causar danos ao meio ambiente.

"Não se trata de inibir a expansão demográfica, trata-se de conduzi-la adequadamente. Não se pode, por exemplo, ocupar o pico do Jaraguá, ou o pico de Itaberaba. Cabe ao poder público se adiantar, solucionando ao mesmo tempo o problema habitacional e a preservação do meio ambiente. Este é um estudo técnico e cabe agora uma atitude política da administração municipal", diz o professor.

Ele adianta que já existe na secretaria do Meio Ambiente de Guarulhos um estudo denominado "Ilhas Verdes", com o propósito de recuperar a vegetação nas áreas centrais. Propõe arborizar ruas, cria minibosques, plantar árvores em lugar de estacionamento e implantar telhados verdes, com vegetação nas fábricas.