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Estudo traz mapa de ex-bolsistas da Fapesp

Publicado em 19 fevereiro 2009

Por Sabine Righetti

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) acaba de divulgar um levantamento inédito que traça um perfil dos pesquisadores agraciados com bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado entre os anos de 1992 e 2002. O livro Perfil e trajetória acadêmico-profissional de bolsistas da Fapesp é o quarto volume da Série documentos, que já trouxe um levantamento do parque de equipamentos financiados pela Fundação e duas publicações com informações institucionais.

O levantamento foi realizado com o objetivo de contribuir para a elaboração de diagnósticos da situação da ciência e tecnologia em São Paulo e para a formulação de políticas públicas na área. “Ao assumir a presidência, percebi a importância da Fapesp de analisar as próprias políticas”, disse Carlos Vogt, presidente da instituição entre 2002 e 2007, hoje Secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo. No mesmo sentido, o atual presidente da Fapesp, Celso Lafer, destaca, na apresentação da publicação, que o trabalho atende um princípio fundamental do estado de direito, que é o da transparência da gestão.

Foram selecionados, manualmente, 11.998 processos para compor a amostra – o que corresponde a 11.581 pesquisadores (alguns pesquisadores têm mais de um processo no período analisado) – de um total de 53.789 processos. “Foi um trabalho intenso de leitura dos processos no papel, já que os dados do início da década de 1990 ainda não estavam digitalizados”, revela a professora da Universidade de São Paulo (USP), Helena Antunes, que participou ativamente do trabalho. Além disso, a Fapesp não tinha uma base de dados atualizada dos bolsistas e foi preciso encontrar um por um. “Chegamos a telefonar atrás de vários ex-bolsistas nas instituições nas quais eram vinculados para pedir os contatos”, conta.

Após a fase inicial de levantamento dos contatos dos ex-bolsistas, foram enviados emails com questionários eletrônicos para serem respondidos pela internet entre outubro de 2004 e o início de 2007. A partir dos questionários preenchidos, mapeou-se a trajetória de uma amostra de cinco mil bolsistas de doze campos do conhecimento.

Resultados

Um número significativo de ex-bolsistas seguiu sua formação acadêmica e trabalha na área de ciência e tecnologia: aproximadamente 77% dos doutorados atuam em instituições de pesquisa do Brasil e exterior e apenas 13% não seguiram carreira acadêmica. Dentre os candidatos que solicitaram qualquer tipo de bolsa entre 1992 e 2002, mais da metade possui atualmente doutorado, incluindo-se 5% de livre docentes. “Isso mostra que as políticas da Fapesp são adequadas e coerentes, o que não significa que não possam ser melhoradas”, analisa Carlos Vogt.

Para o professor Geraldo di Giovanni, pesquisador de Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também participou do levantamento, vale destacar o nível de equidade dos projetos aprovados pela Fapesp em diversos aspectos, como gênero, instituições e área de conhecimento. Por exemplo, homens e mulheres procuraram por apoio da Fundação na mesma medida em que os gêneros se inserem em cada campo do conhecimento, com maior proporção de homens em astronomia e ciências espaciais, economia e administração, geociências, matemática, física, química e engenharia. Já as mulheres são maioria em arquitetura e urbanismo, agronomia e veterinária, biologia, saúde e ciências humanas e sociais.

Giovanni destacou ainda que a maioria dos ex-bolsistas – de 70,3% a 83,8%, dependendo da área – permanece em São Paulo, o que mostra que o objetivo da Fundação de fomentar a pesquisa no estado tem sido cumprido. Dentre os que saem de São Paulo, há uma boa distribuição pelo país dos bolsistas que saíram de São Paulo – nas áreas de saúde e agronomia e veterinária, por exemplo, os ex-bolsistas estão distribuídos por 24 estados.

Perfil semelhante

Constatou-se, também, que a procura pela Fapesp foi feita por um conjunto de pesquisadores com certas características: predominam brancos, que concluíram o ensino médio no ensino regular, frequentando a escola no período diurno e em instituições privadas. A escolaridade dos pais dos pesquisadores, em geral, é superior à das mães, sendo que, em ambos os casos, a maioria possuía, no mínimo, ensino médio completo. 

Os pesquisadores avaliaram ainda, em um trabalho completamente inédito, a trajetória daqueles que não tiveram seu pedido de bolsa concedido (aproximadamente 35% do escopo analisado no trabalho). A maioria dos pesquisadores manteve o projeto inicial e seguiu a carreira acadêmica com recursos próprios ou submeteu o projeto a outras agências de fomento.

Entre as sugestões apresentadas no estudo está a criação de um banco de dados dinâmico que permita uma atualização contínua dos dados já coletados e a produção de relatórios periódicos. O livro possui ainda um CD com os dados levantados, o que fornece insumos para que pesquisadores de diversas áreas do conhecimento possam fazer suas próprias análises.

Também participaram do estudo os professores Jocimar Archangelo e Eugênia Charnet, ambos da Unicamp. A publicação estará disponível em breve em formato pdf na página da Fapesp na internet.