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Estudo sugere aumento das secas na América do Sul até o fim deste século

Publicado em 13 julho 2021

Um estudo publicado em junho deste ano na revista científica Earth Systems and Environment alerta para um aumento das secas na América do Sul até o fim deste século. Para além dos longos períodos sem água, a pesquisa estende as ações e cita também a ocorrência constante de inundações e incêndios florestais caso as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) permaneçam no estágio atual.

O artigo, intitulado Avaliação do Desempenho do CMIP6 e Mudanças Projetadas de Temperatura e Precipitação na América do Sul (em tradução livre do inglês ao português), contou com participação de pesquisadores brasileiros. Um deles é Lincoln Muniz Alves, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coautor do estudo.

“A América do Sul e, em particular, o Brasil já mostram sinais das mudanças climáticas, incluindo o aumento das temperaturas da superfície, mudanças nos padrões de precipitação, derretimento das geleiras andinas e elevação no número e intensidade de extremos climáticos. Essas variações nas características climáticas são precursoras do que pode estar por vir nas próximas décadas se a escalada sem precedentes nas emissões de gases de efeito estufa continuar”, à Agência Fapesp.

Outro ponto citado é um possível aumento de 4ºC na temperatura do continente até o fim deste século caso as emissões de GEE não sejam diminuídas em escala global e, em especial, na América do Sul. No estudo, foram analisados o desempenho de 38 modelos climáticos globais (GCMs) que fazem parte do Projeto de Intercomparação de Modelos Climáticos Fase 6 (CMIP6, em tradução livre do inglês ao português), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“As projeções feitas com os novos modelos climáticos apontaram que, dependendo do cenário, o sul da Amazônia, por exemplo, experimentará condição maior de seca (...) “As projeções indicam que a contribuição relativa dos totais mensais acumulados para a média anual de chuvas na região está diminuindo significativamente em alguns meses. Se antes chovia dez milímetros em um determinado mês, esse número caiu pela metade (...) Isso tem impactos nos setores agrícola e de geração de energia, por exemplo, que fazem seus planejamentos com base nos volumes de chuvas”, complementa Alves, também à Fapesp.

. Clique aqui para ter acesso ao estudo completo. Um novo relatório será divulgado em 9 de agosto, com mais avaliações científicas a respeito das mudanças climáticas.