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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Estudo sobre hormônio auxilia criação de peixes

Publicado em 29 junho 2006

Para tornar viável a criação de peixes migratórios de água doce em cativeiro, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram técnicas de aplicação de hormônios a partir de estudos dos órgãos e das substâncias químicas envolvidas no ciclo de re produção. As técnicas podem ser usadas em espécies com valor comercial, como o pacu, a cachara (bagre da família do pintado) e o pirarucu da Amazônia.
A professora Maria Inês Borella, coordenadora dos estudos, explica que os peixes migratórios maturam as gônadas (órgãos que.produzem os gametas, células que formam os embriões) ao longo do ano, fazendo migrações para realizar a desova.
Ela ressalta que a liberação dos gametas pelas gônadas desses peixes quando em cativeiro precisa ser induzida com a injeção de hormônios. "Cada espécie tem particularidades que impedem á uso de um único tipo de hormônio, por isso é preciso conhecer seu sistema reprodutor e sua biologia reprodutiva", explica. Na pesquisa com o pacu (Piaractus mesopotamicus) foi descoberta a molécula responsável pela produção do Hormônio Liberador de Gonadotrofina (GnRH), que controla a reprodução. "Normalmente e usado um hormônio sintético análogo ao do salmão, que provoca a desova em várias espécies, mas que não produzia os efeitos desejados no pacu", conta Bore "Conhecida a molécula, é possível sintetizar o hormônio e produzi-lo para uso em criadouros."
Na cachara (Pseudoplatys toma fasciatum), foi estuda do á epitélio germinativo que compõe o testículo dos ma chos, para elaborar lima classificação das fases do ciclo reprodutivo. "Dessa forma, foi possível determinar em que período os espermatozóides estão viáveis, permitindo a injeção dos hormônios que levem à sua liberação".
Já o sistema reprodutor do pirarucu (Arapaima gigas) foi estudado em peixes captura dos em antigas áreas alaga das usadas para cultivo de arroz, conhecidas como quadras, em Almeirim (PA). "Ao contrário de outras espécies de água doce, o pirarucu não é migratório, e reprodução depende principalmente das condições do meio ambiente", explica pesquisadora. "Como não há diferenciações visuais entre machos e fêmeas, o sexo dos peixes foi diferenciado por meio de endoscopia."
Além do acompanhamento da reprodução natural dos peixes rias quadras, alguns casais foram colocados em viveiros e na terra foram feitos experimentos tanto com manejo da reprodução natural quanto com injeção de hormônios para realizar a desova.
"Com este estudos, foi possível obter duas desovas em um único ciclo reprodutivo, O número de alevinos (peixes jovens) obtidos foi maior e a sobrevivência em cativei ro foi mais elevada do que numa desova em ambiente não controlado", diz a. professora.
De acordo com Borella, "a criação efetiva do pirarucu em cativeiro ainda dependerá de estudos mais detalhados sobre a anatomia e o desenvolvimento gonadal, para melhor entender os mecanismos fisiológicos da reprodução".
As pesquisas com a cachara, realizadas por Sergio Ricardo Batlouni por Sergio Ricardo Batlouni, doutorando do ICB, tiveram a colaboração da pesquisadora Elizabeth Romagosa, do Instituto de Pesca do Estado de São Paulo. Já a pesquisa sobre o sistema reprodutor do pirarucu foi realizada pela pós-doutorado Rossana Venturieri, em parceria com um projeto privado e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).