Notícia

Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania (SP)

Estudo sobre homicídios dá suporte à atuação da Justiça

Publicado em 16 fevereiro 2012

O Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, realizou a primeira oficina mensal de 2012. No encontro, foi apresentada pesquisa, feita pela Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) sobre o perfil de vítimas de mais de três mil homicídios registrados entre 1998 e 1999. O levantamento de mais de dez anos embasa o atendimento a familiares de vítimas de assassinato.

A apresentação ficou a cargo das pesquisadoras Isaura Isoldi e Graziela Acquaviva, da PUC, e contou, na platéia, com a presença de Karina Caritá, que hoje trabalha para o Cravi, mas que integrou a equipe que fez a pesquisa em campo.

O tema abordado era inédito já que, na época, eram raros estudos sobre violência e homicídios. A pesquisa teve apoio da Secretaria da Justiça e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

“Morre-se onde se mora”

O trabalho identificou que 61,5% das vítimas do homicídio possuíam entre 18 e 33 anos quando assassinadas, sendo quase a totalidade (90,8%) homens.

Chama atenção o fato de grande parte das vítimas de homicídio ter morrido nas proximidades da residência (48%), ou dentro da própria casa (9,8%). “Morre-se onde se mora”, explicou Isaura. “Na maior parte dos casos, as famílias viviam há mais de 10 anos no bairro, trabalhavam, estudavam, possuíam vínculos com a região”.

Das famílias entrevistadas, 25% relataram que a morte do parente já era esperada por envolvimento com tráfico de drogas, vingança ou ainda por já estarem jurados de morte. “Muitos familiares demonstravam um sentimento de alívio quando falavam da morte do parente, que se contrapunha ao convívio, no cotidiano, com o medo e a expectativa de que algo poderia acontecer”, contou Isaura.

A principal dificuldade apontada pela família após a morte do parente foi de ordem psicológica (73,1%), seguida de dificuldades jurídicas (20,7%). Ou seja, as duas principais frentes de atuação do Centro de Referência mantido na Secretaria da Justiça. O Cravi tem profissionais das áreas de psicologia, serviço social e jurídica.

 

Guia Metodológico

A pesquisadora Graziela Acquaviva completou a apresentação com a proposta de um guia metodológico que não chegou a ser implantado em todo o seu rigor após o término da pesquisa de campo com as famílias.O objetivo da elaboração do material foi contribuir para a consolidação do atendimento aos familiares de vítimas de crimes como o homicídio.

Segunda a coordenadora do CRAVI, Cristiane Pereira, a atual palestra auxilia no aprimoramento da prática de atendimento psicossocial aplicada pelos profissionais do Cravi.

Ana Caroline Ribeiro

Assessora de Imprensa

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