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Jornal da Unesp online

Estudo sobre cinema nacional é premiado

Publicado em 01 março 2008

Por Oscar D'Ambrosio e Cinthia Leone

Doutorado de docente de Araraquara ficou entre vencedores de promoção do Itaú Cultural em 2007

A cientista social Anita Simis, professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Araraquara, é autora de um dos cinco trabalhos contemplados com o prêmio Rumos Pesquisa, na categoria "Pesquisa Concluída", que abrangeu projetos realizados nos últimos 20 anos. A premiação foi concedida pelo Itaú Cultural em 2007.

A socióloga concorreu com seu doutorado Estado e Cinema no Brasil, defendido em 1993 na USP (Universidade de São Paulo) e publicado pela Anablume (312 páginas; R$ 30,00, informações: 11- 3812-6764), com apoio da Fapesp, em 1996, com reedição prevista para março de 2008. A primeira edição do prêmio teve 541 trabalhos inscritos de 23 Estados, que concorreram em duas categorias: Pesquisa em Andamento e Pesquisa Concluída. A iniciativa busca incentivar projetos acadêmicos que abranjam questões relativas à gestão na área da cultura.

"Meu estudo está concentrado no intervalo que vai de 1932, início do período Vargas, até o começo da ditadura militar, em 1966", afirma Anita. Orientada por Oliveiros S. Ferreira, a pesquisa teve como foco as relações de financiamento, distribuição e políticas de exibição.

O trabalho busca identificar as razões que impediram o florescimento de uma produção cinematográfica nacional estável e permanente no período. O levantamento abrange três momentos: de 1930 a 1945, estuda as relações entre o cinema e a propaganda oficial; de 1945 a 1964, concentra-se na falência da indústria cinematográfica nacional e nos lucros do cinema norte-americano; e de 1964 a 1966, mostra os conflitos entre os chamados nacionalistas e universalistas na discussão dos rumos do cinema nacional.

Cinema isolado

Anita aponta que o governo provisório que assumiu em 1930 parecia ter uma concepção nítida da função da chamada sétima arte. "Em seu projeto de integração nacional e desenvolvimento industrial, colocava o cinema como instrumento pedagógico auxiliar da ação cultural educativa e formativa", afirma.

No período Vargas, a partir de 1938, além da produção de filmes sob encomenda, havia o Cinejornal Brasileiro, exibido antes das projeções para divulgar as ações do governo. "Essas iniciativas tinham como objetivo promover um cinema de exaltação do Brasil", avalia a docente.

Para Anita, após a decadência das grandes empresas cinematográficas brasileiras, como a Vera Cruz e a Atlântida, nos anos 1950 e 1960, o aprofundamento das divisões na área cinematográfica permitiu que os projetos centralizadores fossem encampados pelo regime pós-1964. "O cinema nacional começa a ser financiado pelo governo na época do militarismo, com a criação, por meio de decreto, do Instituto Nacional de Cinema, em 1966", conta a docente.

Com o Estado voltando ao centro da cena, segundo a pesquisa, o setor produtor perdeu o controle da formulação de políticas. "Isso possivelmente contribuiu para isolar o cinema brasileiro, diminuindo a sua presença cultural e integrada no processo cultural brasileiro", conclui.