Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que as florestas amazônicas degradadas possuem alta capacidade de regeneração. Essa recuperação, porém, acontece sob novas condições ecológicas que resultam em menor diversidade de espécies.
O biólogo Leandro Maracahipes, da Yale School of the Environment e colaborador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, liderou o trabalho, conforme detalhou o Phys.org . Ele contou com a parceria do engenheiro florestal Paulo Brando e do ecólogo Rafael Silva Oliveira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas.
O grupo acompanhou por 20 anos o experimento de Tanguro, em Mato Grosso, uma zona de transição entre Amazônia e Cerrado. Os cientistas examinaram três parcelas de 50 hectares cada uma, submetidas a diferentes regimes de queima controlada.
Após a suspensão das queimadas, a estrutura interna da floresta se recuperou rapidamente, com estabilidade na biomassa. Nas bordas em contato com áreas agrícolas, a riqueza de espécies despencou até 46% entre 2004 e 2024.
Leandro Maracahipes destacou que, mesmo após longos períodos de regeneração, a composição original das espécies não retornou completamente. Gramíneas invasoras dominaram as áreas queimadas no início e alimentaram ciclos de fogo mais severos.
Com o fechamento do dossel a partir de 2016, essas gramíneas recuaram de forma acentuada. O resultado demonstra que a floresta não se transformou em savana permanente, como indicavam alguns modelos climáticos.
O ecólogo Rafael Silva Oliveira ressaltou que a pesquisa desafia a ideia de savannização da Amazônia. O bioma revela maior resiliência do que se imaginava, embora continue vulnerável a secas, incêndios e ações humanas.
Mamíferos e aves como antas e macacos atuam de maneira fundamental na dispersão de sementes de árvores de madeira densa. As árvores da floresta recuperada apresentam casca fina e baixa densidade, tornando-as mais suscetíveis a ventos fortes e novos incêndios.
O estudo, intitulado Forest recovery pathways after fire, drought and windstorms in southeastern Amazonia , reforça a importância da conservação ativa do bioma. A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, constitui uma das mais extensas séries de monitoramento ecológico na Amazônia.