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IntraMed (Argentina)

Estudo revela mecanismo que agrava tuberculose e reduz sobrevida (24 notícias)

Publicado em 30 de janeiro de 2024

Os linfócitos T CD4+ já foram amplamente descritos na literatura científica pelo importante papel na resposta imunológica durante infecções pulmonares. Porém, pesquisa publicada na revista Cell Reports demonstrou que um acúmulo excessivo dessas células está associado a danos nos pulmões em vez de desempenhar uma função de proteção.

A descoberta, obtida por meio de modelos de camundongos com tuberculose virulenta e influenza, apontou para a presença de uma “quantidade ideal” dos linfócitos no tecido pulmonar a fim de assegurar o bom desfecho da doença. Esse achado abriu perspectivas para intervenções terapêuticas que visam reduzir o impacto no hospedeiro sem afetar a capacidade do sistema imunológico de combater a infecção. Mesmo números reduzidos de células T CD4+ no pulmão se mostraram suficientes para proteger contra a tuberculose, por exemplo.

Os pesquisadores observaram que o acúmulo dos linfócitos no tecido pulmonar é mediado por um tipo específico de receptor, o P2RX7, capaz de detectar a presença de ATP (sigla em inglês para trifosfato de adenosina) extracelular. Esse tem função energética para a célula, mas em contextos de estresse ou dano tecidual atua como um sinal de perigo para as células de defesa e, em alguns casos, induz uma resposta excessiva.

O P2RX7 induziu o acúmulo excessivo dos linfócitos, aumentando a expressão de CXCR3, um receptor de quimiocinas (proteínas que atuam como sinais químicos no sistema imunológico atraindo células específicas para áreas onde são necessárias). Segundo o estudo, o acúmulo de T CD4+ no pulmão induzido pela ativação do P2RX7 está ligado ao agravamento da patologia e à redução da sobrevida dos animais.

“Quando esse ATP está no meio extracelular, ele é reconhecido como um sinal de dano pelo sistema imune, já que a molécula que deveria estar dentro da célula saiu. Estudos vinham mostrando a importância dele para o desenvolvimento de formas graves da tuberculose, mas ainda não se sabia quais eram os mecanismos e especificamente qual célula mais expressava. Partimos daí para a pesquisa, porém, sempre tivemos a intenção de melhorar a resposta dessa célula. O que não esperávamos era que, se tirássemos o receptor bloqueando o reconhecimento do ATP, haveria uma melhora e não piora”, disse o doutor em imunologia Igor Santiago-Carvalho, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Primeiro autor do artigo, Santiago-Carvalho trabalhou sob a orientação da professora Maria Regina D'Império Lima, que vem pesquisando imunologia celular, principalmente em malária, doença de Chagas e tuberculose, há mais de 20 anos. “Quanto mais conseguirmos compreender quais são os principais ‘jogadores’ no balanço entre uma resposta imune deficitária, uma ótima e uma excessiva, maior será a chance de manipular essa resposta por meio de drogas e tratamentos visando um melhor controle e desfecho da doença”, afirmou.

Autor/a: Luciana Constantino Fuente: Agência FAPESP Estudo revela mecanismo que agrava tuberculose e reduz sobrevida