Estudo da USP revela que a alta miscigenação no Brasil pode aumentar a longevidade e qualidade de vida.
Pesquisa analisou 160 pessoas com mais de 95 anos, incluindo 20 supercentenários com mais de 110 anos.
Geneticista destaca a importância de mecanismos naturais e hábitos saudáveis para alcançar idades muito avançadas.
Estudo visa aplicar descobertas para prevenir doenças relacionadas ao envelhecimento em outras populações.
Um estudo conduzido pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células Tronco da USP (Universidade de São Paulo) sugere que a alta miscigenação no Brasil pode contribuir para uma maior longevidade e qualidade de vida entre os idosos.
Publicada em um renomado periódico científico nesta terça-feira (6), a pesquisa analisou 160 indivíduos com mais de 95 anos, incluindo 20 supercentenários, que possuem mais de 110 anos. Os pesquisadores identificaram 163 variantes genéticas relevantes durante o estudo, iniciado na pandemia de Covid-19.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta terça-feira, João Paulo Guilherme, geneticista e um dos pesquisadores do centro de estudos da USP, destacou que o Brasil é uma das populações mais miscigenadas globalmente e possui um número significativo de pessoas acima dos 110 anos. “A população brasileira é conhecida por ser uma população altamente miscigenada, uma das mais miscigenadas do mundo. [...] Para chegar a uma idade tão longa, sabe-se que tem que ter alguns mecanismos que protegem o organismo de doenças, que são esperadas, naturais do envelhecimento”, explica.
Além disso, o geneticista fala que hábitos saudáveis podem potencializar esses efeitos genéticos benéficos. “Os hábitos podem ajudar, mas para você chegar a uma idade tão longeva, você tem que ter um conjunto de características biológicas favoráveis, o que não acontece em todo o mundo. Segundo o último censo da nossa população, passar de 100 anos equivale a 0,01% da população. Passar de 105, passar de 110 ainda é um número ainda menos significativo da nossa população”, ressalta.
O objetivo central do estudo é compreender como esses mecanismos naturais podem ser aplicados para prevenir doenças associadas ao envelhecimento em outras populações menos favorecidas geneticamente. A comparação entre descendentes europeus e indivíduos miscigenados revelou mecanismos únicos à população brasileira devido à sua mistura genética oriunda das heranças europeia, africana e indígena.
A pesquisa também abre caminho para futuras intervenções médicas ou políticas públicas voltadas à promoção da saúde baseada nos achados sobre essa longeva população brasileira.