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Diarioweb (São José do Rio Preto)

Estudo revela dúvidas do aluno ao escrever

Publicado em 27 janeiro 2010

Uma pesquisa inédita desenvolvida pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), em Rio Preto. está revelando os principais problemas que alunos do ensino fundamental enfrentam em relação à lingua portuguesa. Segundo a professora Luciani Tenani, responsável pelo estudo, os resultados preliminares apontam que a principal dúvida dos alunos pesquisados é escrever determinadas palavras junto ou separado.

Isso ocorre porque, segundo a pesquisadora, a linguagem oral tem grande influência na escrita, especialmente quando se trata da junção ou separação de palavras, envolvendo preposições, conjunções e pronomes. Luciani conta com a ajuda de duas alunas para escanear e identificar ocorrências dos chamados erros de segmentação de palavra. "Porisso", "em bora" e "derrepente" são exemplos do que a pesquisadora encontrou na escrita de estudantes envolvidos nos trabalhos. Ou seja, a maneira com que a fala é organizada interfere na forma de escrever da criança.

O estudo começou este mês e irá analisar cerca de 3 mil textos produzidos por 610 alunos de 5ª a 8ª séries da Escola Estadual Zulmira da Silva Salles, no Jardim Urano, zona sul de Rio Preto. Dos 424 textos analisados até o momento, foram detectados esses tipos de erros em 30% deles. A pesquisadora explica que o resultado aponta casos de separação de palavras de maneira inadequada (hipersegmentação), como "com tinuou" e "da quele", e de junção de palavras fora dos padrões ortográficos (hiposseg-mentação), como "ajudime" e "atarde".

Ela observa que além de o aluno se basear em informações da própria fala, também há casos em que ele é influenciado por erros anteriores de grafia, que passa a utilizar como modelo em determinadas situações. "Eles se baseiam no que supõem ser a grafia correta, a partir do que já sabem sobre a escrita, para escreverem palavras que desconhecem."

Propagação

Luciani afirma que os problemas se repetiram com o mesmo índice de erro em todos os anos do ensino fundamental. "Isso significa que o aluno chega ao final do ensino fundamental com o mesmo erro que ele apresentava no começo." Para ela, a solução seria aplicar o estudo da ortografia dentro de textos trabalhados em sala de aula. A pesquisa será concluída em 2011, e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os textos analisados são coletados dentro do projeto de extensão Desenvolvimento de Oficinas de Leitura, Interpretação e Produção de Textos no Ensino Fundamental, realizado desde 2008.

O projeto oferece oficinas mensais de leitura, interpretação e produção de textos, e minicursos sobre os problemas que são identificados. O projeto é desenvolvido na prática por alunos de graduação em letras e pós-graduação em estudos linguísticos. É com base nesses textos que a pesquisa de Luciani é desenvolvida.

A professora acredita que, ao final, a pesquisa poderá servir de base para entender o desenvolvimento da escrita de jovens não apenas do Estado de São Paulo. Luciani explica que foi convidada para um seminário em Santa Maria (RS), onde dicutiu os mesmos problemas em relação a alunos gaúchos. "Os problemas são semelhantes aos que descrevi na minha apresentação naquele evento."