Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Estudo revê aprendizado

Publicado em 18 janeiro 2004

Um grupo de profissionais da Universidade de São Paulo (USP) irá desenvolver um estudo inédito em quatro escolas da rede municipal de ensino com alunos que apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. O trabalho será realizado ao longo do ano e irá atingir, inicialmente, 240 estudantes. O objetivo principal será diagnosticar os fatores que influenciam na aprendizagem destas crianças e, conseqüentemente, ajudá-las a superar as dificuldades. O estudo em Mogi das Cruzes é continuidade de um trabalho inicial realizado pelos pesquisadores da USP num colégio particular da Cidade de Guarulhos. A pesquisa visa estudar o funcionamento do cérebro nas crianças em fase escolar, com a finalidade de orientar o ensino. O projeto reúne profissionais da área médica, de informática e da educação, entre outros, e é realizado desde 1997. A atual fase poderá contar, ainda, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Segundo o médico Armando Freitas da Rocha, que compõe a equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, o estudo irá atender aquelas crianças até então consideradas normais ou hiperativas, mas que apresentam dificuldades no aprendizado da leitura, escrita e da aritmética. Com o auxílio do computador, de exames de eletroencefalograma e do histórico familiar, os profissionais vão constatar os problemas de cada um dos estudantes e as suas causas. A informática será fundamental neste processo. Através de um programa elaborado especialmente pela equipe de pesquisadores da USP, os alunos serão submetidos a uma série de atividades de alfabetização que irá avaliar o tempo de resposta e também a porcentagem de erros e acertos. O programa também permitirá diagnosticar se as dificuldades são na leitura de frases, na compreensão de texto, se é na aritmética toda ou apenas em algumas operações, entre outros aspectos. Numa segunda etapa, as crianças serão submetidas aos testes no computador ao mesmo tempo em que os médicos realizarão o eletroencefalograma. Neste caso, o objetivo será verificar exatamente como é o funcionamento do cérebro destes estudantes durante a realização das atividades. O estudo incluirá também crianças consideradas normais e que serão submetidas aos mesmos testes para permitir um comparativo do desempenho das funções cerebrais. "Caracterizada as dificuldades e as suas causas, os alunos serão atendidos em salas de apoio, com professores treinados para ajudá-los a superar os seus problemas", ressalta o médico da USP.