Notícia

Jornal da Unicamp

Estudo reproduz doença de pele

Publicado em 01 maio 1999

Por Antônio Roberto Fava
Pela primeira vez um cientista consegue reproduzir em laboratório uma doença de origem genética que torna a pele semelhante às escamas de peixe: a ictiose. O estudo foi realizado na França pela dermatologista Maria Beatriz Puzzi Taube, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. O trabalho de Beatriz possibilita testar medicamentos para conseguir a cura de doenças da pele, sem ter que usar pessoas como voluntárias. Segundo a médica, as pesquisas vão aprimorar o tratamento do vitiligo com cultura de melanócitos (células que dão a pigmentação da pele). Muito freqüente no Brasil o vitiligo se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas na pele. Para desenvolver suas investigações científicas sobre a ictiose. Beatriz freqüentou durante um ano os laboratórios de dermatologia da Universidade de Bordeaux, o mais importante centro de pesquisa em dermatologia da França. O objetivo da pesquisadora foi reproduzir a moléstia numa epiderme reconstruída denominada de ex-vivo. O material utilizado para apurar essa epiderme é proveniente de uma outra pele, viva e saudável, originada, por exemplo, de uma cirurgia plástica de mama ou de abdômen. Dessa pele Beatriz recolheu a epiderme (a camada superficial) e passou a trabalhar sobre a segunda camada, a derme (a parte de baixo). É nessa fase que ocorre o processo de cultura das células queratinócitos e melanócitos e espalhada sobre a derme. A pesquisadora explica que embora seja uma doença bastante rara, o Brasil não possui informações estatísticas sobre índices de pessoas atingidas pela ictiose. Já o vitiligo — também não há, no Brasil, nenhum índice estatístico — é uma doença de pele que ocorre com mais freqüência e que atinge pessoas de qualquer idade. A dermatologista da Unicamp explica que muitas vezes o tratamento se torna ineficaz quando as manchas que o indivíduo tem no corpo forem antigas demais, por que o medicamento existente já não surte o efeito desejado. O tratamento para eliminar o vitiligo pode ser feito através de cirurgia com anestesia local, que consiste no enxerto da epiderme reconstruída do próprio paciente, retirada da região sadia. "A nova pele, produzida em laboratório, será então enxertada em pequenas áreas onde há manchas. Esse enxerto deve ter no máximo dois centímetros. Para a pesquisadora, a opção de se usar a epiderme do próprio paciente vai evitar que o organismo rejeite o enxerto. "Se der certo, os pacientes com vitiligo terão uma excelente alternativa para tratar dessa moléstia provocada por despigmentação e cujas causas ainda são desconhecidas", diz a dermatologista.