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Estudo quer desvendar saúde de bebês do útero ao 1º ano de vida

Publicado em 22 fevereiro 2011

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, começa nesta terça-feira (22) uma nova etapa de um estudo iniciado em 1978. Naquele ano, foram acompanhados os nascimentos de crianças em Ribeirão Preto e São Luís (MA). Agora, o novo estudo busca desvendar a saúde perinatal (período imediatamente anterior e posterior ao parto) das crianças nascidas nas duas cidades em 2010: cerca de 7 mil nascidas em Ribeirão Preto e aproximadamente 6 mil de São Luís. A meta é estudar desde o útero e entender os nascimentos prematuros. Os exames e levantamentos de dados começam agora e se estendem até março de 2012, pois a coleta de informações será com as crianças que já tenham completado um ano ou no máximo 14 meses.

O professor Marco Antonio Barbieri, do Departamento de Pediatria e Puericultura, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), coordenador da pesquisa, informa que a intenção é entender as razões do crescimento de nascimentos prematuros e as suas consequências no desenvolvimento infantil. É uma tendência mundial, de saúde pública, e pouca estudada. "Vamos ver o desenvolvimento e o crescimento das crianças, suas saúdes mental e biológica, coleta de sangue e montagem de um banco de DNA para estudos posteriores, além de também examinar as mães", diz Barbieri. Muitas mulheres (mães) sofrem de depressão pós-parto e isso também será acompanhado com atenção.

Além dos nascimentos, em 2010 os pesquisadores acompanharam 2.930 mulheres desde o exame pré-natal (1.480 em Ribeirão e 1.450 em São Luís). Isso será importante para estudar a etiologia da prematuridade, ou seja, qual a sua causa. Barbieri diz que mais da metade das causas não são conhecidas. Com os dados coletados, os pesquisadores poderão fazer comparações entre os vários estudos, iniciados em 1978 com uma coorte (estudo de grupo de indivíduos seguidos por um período determinado de tempo). Parte da pesquisa continuou em 1994 e a outra em 2010.

O índice de nascimentos prematuros em Ribeirão Preto, por exemplo, teve aumento contínuo. Em 1978 era de 6,8%, passou para 13,5% em 1994 e agora está entre 12% e 15% - dados não fechados. Uma curiosidade é que em 1978, em Ribeirão Preto, uma mãe deu à luz uma menina, que foi reavaliada em 2002 e que em 2010 tornou-se mãe de uma menina, que agora faz parte desse novo projeto. No início, a pesquisa era para conhecer a saúde perinatal. Depois, porém, outras questões surgiram, como, por exemplo, taxa de mortalidade no primeiro ano de vida e o efeito do peso ao nascer em outras fases da vida.

Uma das preocupações do estudo é que o Brasil é o campeão de partos por cesariana, o que pode ter contribuído para o índice de prematuridade. Entre 1978 e 1979 houve aumento de 30% desse tipo de parto, saltando para 51% em 1994 - os dados de 2010 devem ser fechados entre 50% e 60%, segundo Barbieri. A mortalidade infantil no primeiro ano de vida passou de 36 em 1978 para 17 em 1994 e deverá fechar em 9 casos por 1 mil nascimentos em 2010. O estudo vai investigar se estresse e usos de álcool, drogas e fumo podem desencadear o parto prematuro. Para isso serão comparadas as crianças nascidas prematuras com as que nasceram com o tempo normal em 2010.

Esse estudo deverá consumir cerca de R$ 3,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e R$ 480 mil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).