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Portal Dia de Campo

Estudo projeta impacto da redução no uso de combustíveis fósseis

Publicado em 15 agosto 2013

Em um dos cenários, pesquisa avalia expansão dos biocombustíveis até 2030. Resultados mostraram-se relevantes para o desenvolvimento regional e independência energética

O Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) trata-se de um estudo de âmbito federal que propõe o planejamento a partir da expansão da oferta e demanda de energia até 2030. "Neste estudo propuseram cenários econômicos, sendo que um desses foi projetado para a expansão dos biocombustíveis até 2030, observando seus impactos socioambientais e econômicos", observa Jeronimo Alves dos Santos, gestor do agronegócio.

No programa de Pós-graduação em Economia Aplicada, na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ), Santos analisou os impactos na economia brasileira a partir de uma ampliação na produção e uso de etanol e biodiesel, como substituição de parte dos combustíveis fósseis, no período de 2010 a 2030.

Com orientação do professor Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES), o estudo utilizou um modelo Computável de Equilíbrio Geral (EGC), mais especificamente, um modelo estático, inter-regional, bottom up. "Foi de particular interesse analisar os impactos econômicos com ênfase nas análises regionais e nos impactos sobre as emissões de gases de efeito estufa", conta o autor do trabalho.

Segundo a pesquisa, a substituição dos combustíveis fósseis promoverá aumentos em quase todos os agregados macroeconômicos, em especial os choques causados pelo biodiesel. "Os resultados mostraram-se relevantes para o desenvolvimento regional e independência energética do ponto de vista dos impactos sobre as emissões dos gases de efeito estufa. Foram observadas reduções das emissões dos principais combustíveis fósseis da matriz energética", observa o pesquisador.

Cenários

O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e os cenários econômicos do PNE 2030 foram estabelecidos em quatro trajetórias, visando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), no período de 2005 a 2030. "Entre os quatro cenários projetados, o cenário B1 (PIB crescendo a 4,1% ao ano); foi escolhido para definição das estratégias das projeções do sistema energético brasileiro", conta Santos.

O cenário projetado para o biodiesel considerou que a composição do biodiesel no óleo diesel estará acima da mistura B5, sendo projetado para B8 em 2020 e B12 em 2030, aumento de mais de 360% do seu consumo em relação a 2010. "Além disso, projetamos que o biodiesel terá expansão de área para o plantio de oleaginosas de 1,09% em 2010 para 1,48% da área agrícola em 2030, incremento de 36%, enquanto o investimento total no setor passará de R$ 3,2 bilhões em 2010 para R$ 4,8 bilhões em 2030, aumento de 50%. No que se refere ao quesito emprego, as vagas nessa cadeia produtiva  passarão de 282 mil em 2010 para 1,301 milhão em 2030, o que representará crescimento de 361%, ao mesmo tempo em que contribuirá com redução de emissões na ordem de 24,1 0  mil toneladas de CO2 equivalentes, no fim do período analisado".

Etanol

Quanto ao etanol, o estudo aponta que expansão da produção é justificada pela competitividade da cana-de-açúcar para fins energéticos, além do aumento da biomassa para a geração de energia elétrica.  "A longo prazo, parte da biomassa será destinada  à produção de etanol. Visualiza-se também redução das exportações de etanol e aumento do consumo interno, reduzindo o consumo da gasolina. A previsão de consumo interno de etanol para 2030 é de 52,5 bilhões de litros por ano, aumento de 200% em relação a 2010".

Impacto regional

A pesquisa conclui que os impactos dos choques na economia brasileira não apresentaram grandes variações no agregado econômico, no entanto, quando se analisou em níveis regionais e setoriais, obtiveram-se maiores variações. "Esse é o caso da variação do PIB para os estados do Rio de Janeiro e do Mato Grosso, do nível de atividade das indústrias de Extração de Petróleo e Gás, Gasolina, Gasoálcool, Soja, Óleo de Soja, Sebo e Biodiesel e do nível de emprego tanto regional como setorial". Além disso, s ampliação dos biocombustíveis apresentou-se como uma importante política de desenvolvimento regional e setorial, sendo observada no aumento do PIB e do nível de emprego, na maioria dos estados do Norte e Nordeste, além do aumento notado do nível de emprego para todos os setores agrícolas. "Em outras palavras, a política dos biocombustíveis tem impacto positivo na criação de emprego no campo".

Entre os resultados, destaca-se ainda o fato de que os setores que mais contribuíram com a redução das emissões nos estados foram os de Extração de Petróleo e Gás, Óleo Diesel, Gasolina, Transporte, Serviços e Consumo das Famílias. Os estados que tiveram aumento nas emissões, como Tocantins, Mato Grosso e Goiás foram os que obtiveram os maiores incrementos na atividade econômica e no nível de emprego. "Tanto no aspecto econômico, social e ambiental, as políticas de inserção gradual dos biocombustíveis, podem surtir efeitos favoráveis no agregado econômico e nas reduções das emissões totais na matriz energética brasileira. É importante frisar, no entanto, que essa modelagem baseou-se na economia com o atual nível de tecnologia e eficiência energética, além de não contabilizar a mudança do uso do solo. Portanto, esta pesquisa pode ser utilizada como referência para outros trabalhos, com novas questões e variáveis que expliquem esse processo de forma mais abrangente", conclui.