Notícia

A Cidade On (Campinas, SP)

Estudo premiado muda forma de tratamento da epilepsia

Publicado em 28 julho 2018

Um estudo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com avanços no estudo de tratamento de epilepsia foi premiado no Congresso da Liga Brasileira de Epilepsia. Ele mostra uma resposta positiva à resposta do paciente com a doença.

Dosar um conjunto de metabólitos produzidos em uma região cerebral chamada hipocampo pode ajudar os neurologistas a avaliar se pacientes com epilepsia do lobo temporal a forma mais comum da doença em adultos estão respondendo ou não ao tratamento farmacológico.

O desenvolvimento de um método para fazer essa análise de forma não invasiva, usando espectroscopia por ressonância magnética, é o objetivo de uma pesquisa realizada no âmbito do Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia - um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão financiados pela FAPESP e sediado na Unicamp.

"A epilepsia do lobo temporal geralmente está associada a uma lesão no hipocampo, região cerebral relacionada à memória. Nosso objetivo é em casos em que existe um tipo de lesão conhecido como esclerose hipocampal avaliar os efeitos do controle farmacológico das crises sobre o metabolismo cerebral", afirmou a pós-doutoranda Luciana Ramalho Pimentel da Silva, responsável pelo projeto.

MÉTODO TRADICIONAL

Segundo a pesquisadora, para alguns dos pacientes em que o tratamento medicamentoso não é bem-sucedido, recomenda-se a remoção cirúrgica da área cerebral lesionada como alternativa de controle das crises. Nem sempre isso é possível, porém, dependendo da região em que a lesão está.

O grupo faz uso da espectroscopia de prótons por ressonância magnética para quantificar no hipocampo compostos químicos que atuam como indicadores de alterações estruturais e funcionais nos neurônios, como o N-acetilaspartato, colina, fosfocolina, glutamato e glutamina.

"Por ser uma técnica não invasiva, foi possível obter informações sobre processos celulares e moleculares em pacientes de perfil variado, até mesmo aqueles que não são candidatos à cirurgia. Nesses casos, não teríamos acesso às amostras cirúrgicas do tecido nervoso e o estudo não seria possível de outro modo", disse Silva.

Os achados mostram, segundo a pesquisadora, que as alterações metabólicas no hipocampo de pacientes com epilepsia do lobo temporal diferem de acordo com o lado em que a lesão está localizada e com o grau de resposta ao tratamento farmacológico. O estudo foi feito com 92 pacientes e outros 50 voluntários sem epilepsia.