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Estudo preliminar indica que Coronavac neutraliza novas variantes do SARS-CoV-2

Publicado em 16 março 2021

Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência FAPESP

A variante brasileira, potencialmente mais transmissível, tem sido apontada por epidemiologistas como uma das causas da alta recente de casos de covid-19

Um estudo preliminar realizado pelo Instituto Butantan sugere que a vacina Coronavac pode neutralizar as variantes P.1. e P.2. do Sars-CoV-2. Além do relaxamento das medidas de distanciamento social nas festas de fim de ano e carnaval e o ritmo lento da vacinação, a variante brasileira (P.1.),  potencialmente mais transmissível,  tem sido apontada por epidemiologistas como uma das causas da alta recente de casos e mortes por covid-19.

“A questão das variantes preocupa a todos nós. Precisamos de muita atenção e avaliar se as vacinas produzem anticorpos contra elas. Já sabíamos que a Coronavac tinha eficácia comprovada contra as variantes do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351) e agora sabemos que a vacina é eficiente também contra as variantes P.1. e P.2.”, diz Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan em coletiva de imprensa dia 10 de março.

A vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Os estudos clínicos com o imunizante têm apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“O estudo foi feito em parceria com a USP em laboratório de biossegurança 3 (NB3), onde foi possível manipular o vírus. Na análise, adicionamos as variante P.1. e P.2. a uma cultura celular que continha o soro de pessoas imunizadas. O resultado, embora ainda em um número pequeno de amostras, foi muito satisfatório. Os anticorpos presentes no soro neutralizaram a ação da variante P.1.”, afirma Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do Butantan.

A variante P.1., descoberta pela primeira vez em viajantes japoneses que retornavam de Manaus, já está circulando pelo Brasil e causa preocupação por ser potencialmente mais transmissível. Já a variante P.2., reportada inicialmente no Rio de Janeiro e que também está em circulação pelo País, não está entre as novas variantes de preocupação.

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Fonte: Jornal da USP