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LIM - Laboratórios de Investigação Médica

Estudo pode ajudar a desenvolver biossensores para diagnóstico não invasivo de doenças

Publicado em 15 fevereiro 2021

Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP

A eficácia dos biossensores utilizados em exames clínicos depende criticamente da superfície do dispositivo, na qual são imobilizadas as moléculas de biorreconhecimento. Tal superfície pode ser ajustada e às vezes controlada utilizando-se como matriz monocamadas moleculares auto-organizadas. Essas monocamadas são filmes compostos por moléculas orgânicas que se organizam espontaneamente, em condições adequadas, sobre superfícies metálicas por meio de ligações químicas entre o átomo de enxofre e o metal.

Um estudo conduzido no Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) comparou o desempenho de dois tipos de monocamadas auto-organizadas: uma formada por ácido mercaptoacético (AMA) em água e etanol e a outra por ácido 11-mercaptoundecanoico (11-AMU) em etanol. Os respectivos filmes foram avaliados quanto à sua capacidade de produzir sensores para detecção do gene PCA3, que codifica um antígeno específico do câncer de próstata.

“Nós mostramos que a imobilização eficiente de uma fita simples de DNA para detectar o gene PCA3 pode ser alcançada mesmo em monocamadas menos organizadas, desde que os grupos terminais sejam ionizados”, diz à Agência FAPESP o pesquisador Paulo Augusto Raymundo Pereira, principal autor do estudo.

Artigo a respeito foi publicado em The Journal of Physical Chemistry C.

A pesquisa recebeu apoio da FAPESP por meio de bolsa de pós-doutorado concedida a Raymundo-Pereira, bem como de bolsa e auxílio regular concedidos a outros participantes. Também houve financiamento por meio do Projeto Temático “Rumo à convergência de tecnologias: de sensores e biossensores à visualização de informação e aprendizado de máquina para análise de dados em diagnóstico clínico”, coordenado por Osvaldo Novais de Oliveira Junior, supervisor de Raymundo-Pereira.

“O estudo evidenciou que as diferenças no desempenho dos biossensores fabricados com filmes de AMA e 11-AMU não se devem apenas à organização das monocamadas. A ionização de grupos carboxilato é importante. Por isso, é necessário conhecer as condições adequadas para a formação do filme com essas características”, informa Raymundo-Pereira.

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