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Estudo na ESALQ permite minimizar perdas de materiais vegetais nas biofábricas

Publicado em 26 agosto 2013

O desenvolvimento do setor brasileiro de papel e celulose tem aberto novas frentes de trabalho aliadas ao avanço tecnológico, atribuindo grande importância às dimensões econômico-financeiras do país. Para otimizar a produção e obter resultados mais rápidos, uma estratégia interessante é a aplicação da técnica de micropropagação onde, matrizes de plantas selecionadas, são multiplicadas in vitro resultando em curto prazo e em espaço físico reduzido, inúmeros indivíduos geneticamente semelhantes.

Para o sucesso da técnica, as plantas obrigatoriamente se desenvolvem em condições assépticas, formando microplantas axênicas, ou seja, plantas micropropagadas livres de microrganismos.  Sendo assim, qualquer colônia microbiana observada durante a micropropagação acarreta o descarte das mudas, ocasionando perdas consideráveis, tornando a técnica onerosa. No entanto, mesmo com o sucesso no estabelecimento de culturas assépticas, muitas vezes, após longos períodos de cultivo ou devido a estresses mecânico, físico ou nutricional, observa-se o desenvolvimento de colônias bacterianas em microplantas assintomáticas.

Levando-se em conta o fato de que essas colônias não tenham se manifestado nos primeiros dias do cultivo in vitro, estas não devem necessariamente ser caracterizadas como contaminações, portanto não devem ser imediatamente descartadas, considerando-se o fato de que não afetam o desenvolvimento do vegetal e, muitas vezes, apresentam associações benéficas por se tratarem de endófitos, que são microrganismos que vivem em harmonia no interior de células e tecidos das plantas; conclusões de inúmeros trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Morfogênese e Biologia Reprodutiva de Plantas, da ESALQ, e divulgados em revistas científicas.

Em função disso, a bióloga Gabriela Ferraz Leone, pelo Programa de Pós-graduação em Fisiologia e Bioquímica de Plantas, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ), desenvolveu um estudo a fim de minimizar as perdas excessivas in vitro, em decorrência da manifestação bacteriana, por meio da aplicação de agentes antimicrobianos no meio de cultura. Orientada pelo professor Marcílio de Almeida, do Departamento de Ciências Biológicas (LCB), Gabriela utilizou a espécie Eucalyptus cloeziana, que se destaca no setor florestal por seus fins energéticos, comercial e alto potencial para reflorestamento. "A manifestação de bactérias é responsável por enormes prejuízos em biofábricas, não somente de eucaliptos, mas de inúmeras espécies de interesse econômico que utilizam a cultura de tecido para a propagação maciça e livre de microrganismos", conta.

No citado Laboratório de Morfogênese, foram realizadas aplicações de antibióticos naturais, sintéticos e semi-sintéticos e/ou biocidas durante a multiplicação das plantas in vitro, investigadas por meio de análises biomoleculares, nutricionais, histológicas e histoquímicas para comprovar a presença de bactérias endofíticas nas microcepas de eucalipto, bem como avaliar sua influência no desenvolvimento das microplantas. Segundo a bióloga, o trabalho permitiu estabelecer protocolos eficientes para o controle químico das manifestações, sem interferência nos processos morfogenéticos durante a micropropagação.

De acordo com a pesquisadora, o estudo permite minimizar perdas de materiais vegetais nas biofábricas, decorrentes das manifestações bacterianas caracterizadas erroneamente como contaminação, resultante de desinfestações mal executadas ou erros durante o manuseio da técnica in vitro. "O que queremos, portanto, é chamar a atenção sobre esses microrganismos, evidenciando as diferenças entre contaminações e manifestações, uma vez que eles podem viver em harmonia com seus respectivos hospedeiros e se manifestam naturalmente durante o desenvolvimento in vitro, em decorrência de possíveis estresses". Para tanto, a realização de testes preliminares com agentes antimicrobianos mostrou-se fundamental para evitar o descarte de plantas que apresentaram colônias bacterianas durante o processo de micropropagação, evitando perdas de material de alto valor comercial.

Gabriela afirma ainda que a associação existente entre bactérias e plantas é complexa e sensível às alterações bióticas ou abióticas. "Desta forma, é de extrema importância manter o equilíbrio existente entre a comunidade bacteriana e seu hospedeiro. O uso indiscriminado de produtos para controlar as manifestações bacterianas in vitro deve ser cauteloso, afim de evitar fitotoxicidade e/ou resistência dos microrganismos, além de não afetar o desenvolvimento morfofisiológico do vegetal", conclui.

O projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e contou com a colaboração da Dra. Cristina Vieira de Almeida, da empresa InVitroPalm Consultoria, Estudo e Desenvolvimento Biológico Ltda., empresa associada à ESALQTec Incubadora Tecnológica.

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Raiza Tronquin

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Notícia postada por: SYLVIO PÉLICO LEITÃO FILHO