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Estudo mostra relação ar poluído e problemas de gravidez

Publicado em 14 dezembro 2005

As evidências aumentam a cada estudo. Um nova pesquisa reforça a tese de que o ar poluído causa impactos negativos na gestação. Depois de um estudo preliminar publicado no início de 2004, um grupo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo resolveu ampliar a amostragem para verificar se a relação se mantinha. A investigação do peso ao nascer de 311.735 crianças entre 1998 e 2000, feita por meio de análises estatísticas, não deixa dúvidas. A exposição materna à poluição do ar no primeiro trimestre da gestação pode contribuir para o menor ganho de peso. O estudo, assinado por Andréia Medeiros e Nelson Gouveia, detectou que 4,6% dos nascimentos avaliados eram de crianças com menos de 2,5 quilos. Os testes foram significativos principalmente para monóxido de carbono, material particulado e dióxido de nitrogênio. Em termos geográficos, todos os nascimentos ocorreram nos bairros centrais da cidade de São Paulo, explica Gouveia. "Basicamente, resolvemos excluir os distritos mais periféricos por uma questão metodológica", disse à Agência FAPESP. Os dados da poluição foram obtidos a partir dos pontos de registro espalhados pela cidade e mantidos pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). "Os resultados não surpreendem, pois são bens semelhantes aos estudos preliminares que havíamos feito", disse o pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva, um dos pioneiros na análise da poluição sobre a gestação no Brasil. Segundo Gouveia, ainda são escassas as pesquisas sobre essa relação, mesmo fora do Brasil. "Existem bem poucos estudos sobre o efeito da poluição no peso ao nascer, menos ainda em relação à prematuridade e um ou dois apenas que relacionam poluição do ar a defeitos congênitos", conta. Mas, segundo ele, não há dúvida de que os resultados obtidos até o momento demonstram que o problema deve continuar a ser estudado. O novo estudo será publicado na edição de dezembro da Revista de Saúde Pública, que pode ser consultada pela biblioteca virtual SciELO (Bireme/FAPESP), em www.scielo.br.

Agência FAPESP