Recém-nascidos com peso menor de 2,5 kg possuem maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares na vida adulta. Um estudo publicado no periódico Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, por sua vez, mostra que esse processo pode ser desacelerado com a prática de atividades físicas na infância. Os exercícios podem colaborar para um melhor funcionamento de células implicadas na saúde dos vasos sanguíneos.
O estudo foi coordenado por Maria do Carmo Pinho Franco, em uma linha de pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ao todo, 35 crianças de 6 a 11 anos participaram da pesquisa. Elas foram divididas em dois grupos: nascidas com menos de 2,5 kg e nascidas com peso maior ou igual a 3 kg. O treinamento durou 10 semanas e foi composto por sessões de 45 minutos de atividades lúdicas, com intensidades de moderada a vigorosa.
Peso, estatura, percentual de gordura e circunferências corporais, além de amostras de sangue, foram coletadas antes e depois dos testes. Os resultados apontaram que os exercícios foram benéficos para a saúde física de todas as crianças, que apresentaram melhora na circunferência da cintura e na aptidão cardiorrespiratória. A surpresa foi com as crianças que haviam nascido com peso menor do que 2,5 kg. Elas tiveram melhora na pressão arterial, assim como nos níveis circulantes e na funcionalidade das células progenitoras endoteliais.
As células progenitoras endoteliais estão envolvida em vários dos processos vasculares e são produzidas pela medula óssea. Com essas características, elas conseguem formar novos vasos sanguíneos e reparar os já existentes no corpo humano. “Estudos anteriores demonstraram que a capacidade de deslocamento das células progenitoras endoteliais da medula óssea para a corrente sanguínea, bem como sua capacidade de transformação em células endoteliais maduras, podem ser alteradas frente a diferentes estímulos. Dentro desse contexto, o exercício físico desempenha papel importante e benéfico sobre a mobilização dessas células”, disse a pesquisadora Maria do Carmo Pinho Franco em entrevista à Agência Brasil.
Desde seu mestrado, Franco estuda as repercussões do baixo peso no nascimento. As pesquisas começaram com animais, mas logo migraram para estudos em população de crianças com foco nas alterações tardias do endotélio vascular, a camada que reveste os vasos sanguíneos. A conclusão da pesquisa é que existem intervenções simples e de baixo custo para crianças que nascem com menos de 2,5 kg. E cabe aos pais estimular a prática de atividades físicas. Mas, para isso, é sempre importante contar com uma equipe multidisciplinar para avaliação, como um profissional formado em faculdade de educação física , nutrição e medicina.