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Estudo mostra que Covid-19 pode alterar padrão de funcionamento do cérebro

Publicado em 28 janeiro 2021

Por Juliana Contaifer

Resultados ainda são preliminares, mas sugerem que sintomas da Covid prolongada podem ser causados pela ação do coronavírus no órgão

Um estudo feito por pesquisadores da Unicamp sugere que o coronavírus pode alterar o padrão de conectividade funcional do cérebro, inclusive em casos leves da doença. O vírus criaria um curto-circuito no órgão, que tentaria consertar o problema ativando partes desnecessárias.

“No cérebro normal, determinadas áreas estão sincronizadas durante uma atividade, enquanto outras estão em repouso. Já no caso desses indivíduos que tiveram Covid-19, notamos uma perda severa da especificidade das redes cerebrais. Tudo está conectado ao mesmo tempo e isso, provavelmente, leva o cérebro a gastar mais energia e trabalhar de forma menos eficiente“, explica Clarissa Yasuda, uma das pesquisadoras responsáveis e integrante de um dos centros de pesquisa da Fapesp.

Os dados ainda não foram publicados, mas foram adiantados pela cientista durante o 7º Brainn Congress. Foram feitas ressonâncias magnéticas funcionais em 86 voluntários que se curaram da Covid-19 há pelo menos dois meses, e os resultados foram comparados aos de 125 pessoas que não tiveram a doença. O estudo ainda está em andamento, e deve durar pelo menos três anos.

A hipótese do grupo é que a infecção prejudique parte das redes neurais e, para compensar a falha nos sinais que são transmitidos pelos neurônios, o cérebro acabe ativando outras redes ao mesmo tempo para tentar reestabelecer a comunicação. Eles também pretendem pesquisar se essa situação tem relação com os sintomas experimentados por pessoas com a chamada Covid prolongada ou longa.

“Pretendemos comparar o funcionamento cerebral de pacientes que apresentam esses sintomas tardios com o de pessoas que se curaram da doença e ficaram sem sintomas. Se essa relação entre hiperconectividade e sintomas neuropsicológicos persistentes se confirmar, poderemos pensar em drogas e outros tratamentos capazes de amenizar o quadro”, afirmou a pesquisadora à Agência Fapesp.

Pessoas que quiserem participar do estudo podem entrar em contato pelo site https://forms.gle/8SoNb3tFqCwpARAo7. Podem participar todos os indivíduos que já tiveram Covid-19, mesmo os que não estão lidando com os sintomas residuais da doença.