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Estudo mostra deficiências do incentivo à pesquisa no Brasil

Publicado em 07 maio 2002

O Brasil ocupa o primeiro lugar entre os países da América Latina cm volume de investimentos em Ciência e Tecnologia. Porém, dos investimentos no setor, mais de 65% saem dos cofres públicos. A proporção é inversa à de países desenvolvidos, em que as empresas arcam com aproximadamente 60% dos recursos. Essas são algumas das conclusões de uma radiografia da atual situação do ensino, da pesquisa e da produção tecnológica no país realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do São Paulo, FAPESP. Os indicadores mostram que o envolvimento do setor empresarial com a pesquisa tecnológica é pequeno. Entre os 20 principais depositantes de patente de invenção no Brasil há apenas uma empresa brasileira, a Petrobras. A radiografia está contida no segundo volume da série "Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo", que a fundação lança na manhã de hoje em São Paulo. Em 11 capítulos, a publicação pode ser dividida em três blocos: insumos para a produção científica e tecnológica, resultados e impactos econômicos e sociais da pesquisa científica e tecnológica no país. CONTRASTES O Brasil, de acordo com a publicação, ocupa hoje uma posição intermediária no ranking de nações que investem na produção do conhecimento. Investe cerca de US$ 6,5 bilhões ou 0,87% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante, de acordo com o estudo, nivela o país a economias como as da Itália (1%), Espanha (0,9%) e Hungria (0,7%). Mas o distancia das mais dinâmicas como a dos EUA (2,7%) e da Coréia do Sul (2,5%). ABSORÇÃO Quanto à pós-graduação, houve aumento tanto no número de cursos de mestrado e de doutorado no país e em São Paulo quanto no número de alunos matriculados. São Paulo, em 1998, abrigava 41% dos alunos de mestrado do país e 58% dos alunos dos cursos de doutorado. A taxa de absorção de pós-graduados, especialmente doutores, é ainda considerada muito baixa. Isso contrasta com a situação de países de industrialização mais recente, como a Coréia do Sul e Taiwan. SÃO PAULO Dos recursos públicos que compõem essa despesa, em 1998, a participação federal em São Paulo foi de 42% e, dos 58% alocados pelo governo paulista naquele ano, 16% foram provenientes da FAPESP. A atividade de pesquisa científica e tecnológica no Estado está concentrada no segmento acadêmico, que emprega 78% dos pesquisadores. A pouca participação do segmento industrial se reflete no número de patentes. Panorama Brasil