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Correio do Brasil online

Estudo mostra benefícios do exercício físico em 3-D

Publicado em 01 maio 2010

Agência Fapesp

Exercício traz benefícios para o coração. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) ilustrou o que ocorre com a inervação do coração do ponto de vista anatômico. Ao submeter ratos a exercícios físicos aeróbicos de baixa intensidade em esteira ergométrica, o grupo conseguiu medir, em três dimensões, aspectos estruturais como número e tamanho dos neurônios do gânglio estrelado - localizado na entrada do tórax.

Os gânglios estrelados (ou cervitorácicos) pertencem ao sistema nervoso autônomo simpático e são responsáveis pela inervação cardíaca extrínseca. Por meio da estereologia estocástica - que permite a amostragem e mensuração de uma partícula livre ou conectada em três ou quatro dimensões - a pesquisa registrou um aumento do tamanho (hipertrofia) dos neurônios cardíacos em cerca de 83% nos animais submetidos ao exercício físico.

Os resultados mostraram ainda que, além da hipertrofia dos neurônios, houve um aumento da inervação simpática do coração e uma redução de 12% na frequência cardíaca, o que representa uma maior adaptação do coração desses animais ao exercício físico.

De acordo com Antonio Augusto Coppi, responsável pelo Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da Faculdade de MedicinaVeterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, o destaque do estudo foi o uso da estereologia estocástica para medir com precisão a estrutura (número e tamanho) dos neurônios do gânglio estrelado em animais submetidos a exercícios físicos regulares e de baixa intensidade.

- Normalmente, mede-se a área (2D) do contorno de uma célula como se essa medida representasse o tamanho verdadeiro (volume em 3D) da célula inteira. No entanto, a área não representa o tamanho real. Só se pode falar em hipertrofia, ou seja, em aumento do tamanho de alguma partícula, quando se mede o volume -, disse.

- A estereologia é um método robusto e moderno que permite ao cientista medir, com precisão e acurácia, por exemplo, o volume e o número das células de um determinado órgão, eliminando aproximações geométricas que ainda são feitas em trabalhos em morfologia quantitativa -, disse o estereologista.

O estudo Efeitos quantitativos do exercício físico na inervação cardíaca extrínseca de ratos foi desenvolvido por Renato Albuquerque Cavalcanti sob a orientação de Coppi, com apoio da FAPESP por meio da modalidade Bolsa de Iniciação Científica.

O fato de os resultados apontarem uma diminuição de 12% na frequência cardíaca já era esperado em um indivíduo condicionado fisicamente, segundo o pesquisador.

- Isso significa que o coração bate menos, porém com mais força de contração e capacidade de bombeamento do sangue, ao passo que a falta de condicionamento físico está geralmente associada ao aumento da frequência cardíaca (taquicardia) quando submetido ao exercício físico -, explicou.

O estudo também verificou que não houve diferença no número total dos neurônios estrelados cardíacos. Segundo o pesquisadore, a hipertrofia desses neurônios foi suficiente para atender a maior demanda funcional imposta pelo exercício físico, sem recrutar o aumento no número de células.

- Nossa hipótese é que, se houvesse necessidade do aumento do número de neurônios do gânglio estrelado, significaria que a hipertrofia não teria sido suficiente para acomodar o aumento da demanda funcional -, destacou.

- Se surgissem mais células nervosas, essas muito provavelmente seriam neurônios imaturos (neuroblastos), que não teriam, de imediato, a competência funcional para inervar o coração com a rapidez exigida pela situação em análise -, acrescentou.

O próximo passo do estudo envolvendo exercício físico e coração será quantificar o número e o tamanho das fibras musculares cardíacas e de unidades motoras do coração.