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Correio Popular

Estudo mapeia uso de biocombustível

Publicado em 29 outubro 2011

Por Henrique Beirangê

Um grupo de pesquisa liderado pelo engenheiro agrícola Luís Augusto Barbosa Cortez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), será responsável por uma pesquisa que pretende identificar os principais gargalos na produção de biocombustíveis para o mercadoria aviação. O estudo está dentro de uma parceria firmada com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a empresa americana Boeing, para o desenvolvimento de novas tecnologias do etanol. A pesquisa firmará as bases para a elaboração de um edital para a criação de um centro de pesquisa de combustíveis verdes no Estado de São Paulo. A Fapesp também faz parte da parceria.

O estudo pretende mapear as principais vantagens e desvantagens das atuais tecnologias utilizadas na produção de biocombustíveis e contará com uma equipe multidisciplinar, nas área de biologia, engenharia agrícola, química, mecânica e civil. O estudo terá prazo de até 12 meses para ser concluído e terá financiamento inicial de R$ 300 mil. Uma das propostas dos pesquisadores é atuar na redução da emissão de gases estufas por aeronaves civis e militares. Estima-se que o transporte aéreo seja responsável entre 2% e 5% das liberações de todo o planeta.

A empresa aérea alemã Lufthansa iniciou em julho deste ano os primeiros testes com biocombustíveis. Uma das turbinas de algumas aeronaves estão utilizando 50% de combustível de aviação e 50% de biocombustível, a outra será abastecida apenas por combustível de aviação. Os testes serão feitos durante seis meses e o principal interesse é verificar o desempenho dos dois motores no decorrer do período. A Lufthansa Technik, braço do grupo, realizará regularmente os assim chamados "testes borescope" que, entre outros, fazem medições comparativas das emissões de gases e esperam obter prova de que a turbina que opera com a mistura de biocombustível gasta menos combustível.

Uma das preocupações das empresas aéreas é que haja fornecimento regular de biocombustível caso o projeto apresente resultados positivos. No Brasil, usineiros reclamam do preço do álcool e tem alertado que o valor pago pelo açúcar tem sido mais vantajoso. De acordo com Cortez, existe a necessidade de ampliação dos investimentos em produção de biocombustíveis e melhorar o planejamento público no setor.

"Temos que aumentar a produção e o governo criar condições para que haja aumento de investimentos na área. Nos últimos 20 anos observamos momentos de queda e aumento do preço do álcool, e o governo perdeu a oportunidade de formar estoques para atuar nos momentos de alta do produto."

O pesquisador afirma que há cerca de 1,5 bilhão de hectares de terra utilizadas para a agricultura no planeta e apenas 30 milhões de hectares destinadas a produção de biocombustíveis. "Para substituir 10% da gasolina utilizada no mundo inteiro, precisaríamos de 25 milhões de hectares. Se considerarmos todo ò mundo, isso não é muito", afirma.

Para o professor Marcos Barbieri, pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Unicamp, a parceria é importante como mecanismo de redução de emissão de poluente e de possível redução marginal de custos do transporte aéreo a longo prazo. No entanto, ele destaca a necessidade de acordos internacionais que regulamentem a demanda e oferta de biocombustíveis. É fundamental algum nível de regulação internacional. Oferta em escala elevada no volume adequado e regularidade. Sem acordos internacionais, a evolução deste mercado poderá ser confuso e comi afirma.