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Estudo internacional compara genoma de bovinos taurinos com zebuínos

Publicado em 14 abril 2012

Um consórcio internacional de cientistas, liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), deverá concluir no primeiro semestre de 2012 o sequenciamento do genoma de referência bovino da subespécie zebuína (Bos indicus), originária da Índia, cujas raças nelore e gir, voltadas para a produção de carne, são de interesse comercial do Brasil e de outros países de clima tropical. Mesmo antes de o trabalho ser finalizado, pesquisadores do grupo já fazem comparações preliminares com o genoma da subespécie taurina (Bos taurus), que completaram em 2009, e a qual pertencem raças chamadas de europeias, como a angus e a holandesa, direcionadas tanto para produção de leite como de carne.

Um grupo coordenado por pesquisadores do Laboratório de Genômica Funcional de Bovinos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) comparou o genoma de cinco animais, sendo três da raça angus, um da raça holandesa e um nelore. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Genome Research e, segundo os pesquisadores, podem contribuir para o melhoramento genético das raças de bovinos taurinos e zebuínos.

Os pesquisadores identificaram por meio do estudo 1,265 mil variações no número de cópias de genes (CNV, na sigla em inglês de copy number variations) – perdas e ganhos de sequências completas de DNA entre indivíduos da mesma espécie, que em humanos, por exemplo, podem explicar a razão da ocorrência de doenças genéticas, como o autismo e a esquizofrenia.

Utilizando novas tecnologias de sequenciamento de genoma, os pesquisadores observaram alterações no número de cópias de genes dos animais, sendo muitas delas inéditas, relacionadas a fatores como adaptação e metabolismo.

— O que vimos e já esperávamos é que vários genes relacionados à adaptabilidade animal estão duplicados ou em maior quantidade no animal da raça nelore, da subespécie zebuína, que vive em condições mais rústicas e suporta altas temperaturas — disse José Fernando Garcia, pesquisador da Unesp, campus de Araçatuba.

Garcia participou do sequenciamento do genoma taurino e lidera o grupo de cientistas que se dedica à conclusão do sequenciamento do genoma do zebuíno. O cientista coordena um projeto de pesquisa apoiado pela Fapesp.

— Os genes relacionados ao transporte e metabolismo de lipídios, que proporcionam uma carne com mais gordura, por exemplo, estão em maior número de cópias nos animais taurinos, que são selecionados para clima temperado, como o europeu e o norte-americano — disse.

De acordo com Garcia, as descobertas do estudo possibilitarão explicar melhor as diferenças entre os animais e criar as bases para realizar um melhoramento genético de bovinos mais apurado e com maior precisão do que se faz hoje.

Fonte: Agência FAPESP