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Estudo indica uso de anti-inflamatório comum contra picada de escorpiões

Publicado em 22 novembro 2020

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto divulgaram um estudo que indica o uso de dexametasona, um anti-inflamatório de uso comum, como uma possível forma de tratar vítimas de picadas de escorpião.

A picada do animal peçonhento, que é o que mais mata no Brasil, pode resultar em edema pulmonar e ataque cardíaco, principalmente quando envolve crianças e idosos. Em Americana, já foram registrados 362 acidentes com escorpiões em 2020 – no ano passado, foram 427.

A cidade também é uma das que mais captura e encaminha escorpiões para o Instituto Butantan, em São Paulo, para a produção de soro. Em 2019, foram capturados cerca de 20 mil animais. Neste ano, são 15,8 mil, segundo o Programa de Vigilância e Controle de Carrapatos e Escorpiões.

O estudo, que foi realizado em camundongos, foi publicado na revista Nature Communication e sugere que o bloqueio do processo inflamatório pode ser feito por meio do medicamento corticoide, que deve ser administrado logo após a picada.

O trabalho foi desenvolvido durante o doutorado de Mourzallem Barros dos Reis como parte de um projeto temático coordenado pela professora Lúcia Helena Faccioli. O estudo teve o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Instituto Butantan.

Além de demonstrar que o uso do anti-inflamatório pode ser útil em casos de escorpionismo, a pesquisa ajudou a entender quais são os mecanismos por trás dos efeitos da peçonha do escorpião no coração, que provém da relação entre o neurotransmissor acetilcolina e os mediadores inflamatórios produzidos no pulmão em resposta à peçonha, o que tem impacto no ritmo do batimento cardíaco.

Em 2016, os pesquisadores já haviam demonstrado, em outro estudo, que o edema no pulmão é resultado da ativação de um complexo proteico existente no interior das células de defesa.

No entanto, segundo Faccioli, apesar desse corticoide ser usado há décadas, ser seguro, acessível e não ter efeitos colaterais significativos, ainda é cedo para afirmar que os resultados obtidos na pesquisa se aplicam também aos humanos.

“Nossa principal dúvida é em relação ao tempo de administração do corticoide em pessoas, visto que os períodos de vida de um humano e de um camundongo têm uma grande diferença. No estudo, a administração do anti-inflamatório até 30 minutos após o camundongo receber a peçonha evitou a morte do animal”, explicou ao LIBERAL.

No Brasil existem 160 espécies de escorpião, mas as que geralmente são consideradas riscos à saúde pública são a Tityus bahiensis (escorpião marrom) e a Tityus serrulatus (escorpião amarelo), que são adaptadas ao meio urbano.

Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas 169 mortes e cerca de 156 mil casos de envenenamento por escorpião no país no ano passado. Em 2008, eram cerca de 40 mil casos. A tendência é que este número continue aumentando por conta de problemas como desmatamento, acúmulo de lixo, aumento de temperaturas e urbanização desordenada.

Fonte: O LIBERAL