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Jornal do Brasil

Estudo explica por que a cocaína dá 'onda'

Publicado em 15 fevereiro 1996

LONDRES - Pesquisadores americanos afirmaram ontem que foram confirmadas as teorias sobre por que o uso da cocaína dá um efeito estimulante ao usuário. Tanto a cocaína como as anfetaminas atingem o neurotransmissor dopamina, que regula as emoções e movimentos do corpo. São os altos níveis de dopamina que dão origem aos sentimentos de euforia. A descoberta pode levar a novos tratamentos de doenças, como o mal de Parkinson e a esquizofrenia. No estudo, publicado na revista britânica científica Nature, Marc Caron e seus colegas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, afirmaram que cientistas já haviam deduzido como os neurotransmissores funcionavam fazendo experiências com drogas - como antidepressivos - e observando seus efeitos. No entanto, eles nunca tinham sido capazes de provar suas teorias. Os neurotransmissores são substâncias químicas que transmitem as mensagens de um neurônio para outro. Uma vez que se conectam a uma célula, eles ficam ligados, até que sejam desligados, quando se quebram ou são removidos por componentes químicos, chamados transportadores. Bloqueio - Marc Caron e sua equipe provaram a teoria de que as anfetaminas e a cocaína trabalham bloqueando os transportadores para a dopamina. Eles fazem isso de maneiras ligeiramente diferentes, mas o resultado é similar: o transmissor funciona dando a sensação de onda. Caron explicou que um rato foi especialmente reproduzido com um gene defeituoso para transportar a dopamina. "Ele se comportava exatamente como um viciado em cocaína", explicou Caron. O animal era hiperativo, ganhava peso mais lentamente que os outros e tinha uma tendência para morrer antes do previsto. Além disso, a cobaia tinha baixos níveis de dopamina. "Assim, concluímos que o transportador é o componente mais importante para regular a neurotransmissão do sistema", disse. O pesquisador disse que o rato poderia ser útil não só para testar os efeitos das drogas e as maneiras de impedi-los, mas para ajudar no tratamento de doenças como o mal de Parkinson, que causa tremores involuntários e incontroláveis, e a esquizofrenia, que podem ser causadas por um desequilíbrio de dopamina.