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Estudo encontra vírus “primo” do sarampo em morcegos da América Latina (21 notícias)

Publicado em 29 de julho de 2025

Pesquisadores do Brasil, da Costa Rica e da Europa conseguiram isolar e cultivar em laboratório um vírus do gênero Morbillivirus , primo do sarampo , que foi encontrado em morcegos da América Latina.

O feito de isolar o vírus in vitro permite estudar em detalhes a estrutura, a genética e os mecanismos de infecção dos patógenos, que também têm estrutura semelhante à da cinomose canina.

Isso abre caminhos para o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, medicamentos e vacinas caso a doença passe a atingir humanos em algum momento. A descoberta é considerada essencial para ampliar o conhecimento sobre vírus selvagens.

Os dados foram obtidos após 14 anos de coleta e análise de mais de 1,6 mil morcegos no Brasil e na Costa Rica. O trabalho envolveu espécies hematófagas (que se alimentam de sangue), frugívoras e insetívoras. Os resultados foram publicados em junho, na revista Nature Microbiology

Embora análises genéticas anteriores indicassem presença de Morbillivirus em morcegos, não havia registros de isolamento direto. Essa limitação dificultava o estudo da biologia viral e dos riscos de infecção em outras espécies.

Morbillivirus não infecta facilmente células humanas

Doença ainda é restrita aos morcegos

Desta vez, a equipe sequenciou o material genético completo de diferentes linhagens virais. Em uma delas, conseguiu identificar como o vírus interage com as células do hospedeiro.

Altas concentrações virais foram identificadas nos rins, pulmões, fígado, intestino e coração dos morcegos. O achado indica infecções sistêmicas não letais, semelhantes às observadas no sarampo em humanos. A doença, porém, não pode afetar humanos.

Mas os pesquisadores alertam que a vigilância contínua é fundamental para evitar riscos futuros. “Como todo vírus, existe a possibilidade de adaptação”, diz Góes.

A equipe também identificou vírus semelhantes em macacos silvestres mortos no Brasil. As análises genéticas sugerem que esses patógenos podem ter origem em morcegos, indicando a possibilidade de transmissão entre espécies.