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Estudo encontra vírus “primo” do sarampo em morcegos da América Latina (21 notícias)

Publicado em 28 de julho de 2025

Pesquisa inédita feita na USP isola vírus do gênero Morbillivirus em morcegos e levanta questões sobre riscos futuros à saúde pública

Pesquisadores do Brasil, da Costa Rica e da Europa conseguiram isolar e cultivar em laboratório um vírus do gênero , que foi O feito de isolar o vírus in vitro permite estudar em detalhes a estrutura, a genética e os mecanismos de infecção dos patógenos, que também têm estrutura semelhante à da cinomose canina. Isso abre caminhos para o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, medicamentos e vacinas caso a doença passe a atingir humanos em algum momento. A descoberta é considerada essencial para ampliar o conhecimento sobre vírus selvagens. Leia também Os dados foram obtidos após 14 anos de coleta e análise de e na Costa Rica. O trabalho envolveu espécies hematófagas (que se alimentam de sangue), frugívoras e insetívoras. Os resultados foram publicados em junho, na revista . Embora análises genéticas anteriores indicassem presença de Morbillivirus em morcegos, não havia registros de isolamento direto. Essa limitação dificultava o estudo da biologia viral e dos riscos de infecção em outras espécies. Testes mostraram que o Morbillivirus não infecta facilmente células humanas

Doença ainda é restrita aos morcegos Desta vez, a equipe sequenciou o material genético completo de diferentes linhagens virais. Em uma delas, conseguiu identificar como o vírus interage com as células do hospedeiro. Altas concentrações virais foram identificadas nos rins, pulmões, fígado, intestino e coração dos morcegos. O achado indica infecções sistêmicas não letais, semelhantes às observadas no sarampo em humanos. A doença, porém, não pode afetar humanos. “Por meio do isolamento de células, observamos que esse vírus não consegue utilizar o receptor CD150 humano, o que é uma informação muito boa no sentido de que ele, no momento, não demonstra ter capacidade de infectar hospedeiros humanos”, afirmou o biólogo Luiz Gustavo Góes, do Instituto Pasteur de São Paulo, em entrevista à Agência FAPESP. A associação sem fins lucrativos tem sede na Universidade de São Paulo (USP). Mas os pesquisadores alertam que a vigilância contínua é fundamental para evitar riscos futuros. “Como todo vírus, existe a possibilidade de adaptação”, diz Góes. A equipe também identificou vírus semelhantes em macacos silvestres mortos no Brasil. As análises genéticas sugerem que esses patógenos podem ter origem em morcegos, indicando a possibilidade de transmissão entre espécies. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Por: Metrópoles