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Estudo em presídios vai traçar perfil da tuberculose resistente

Publicado em 22 novembro 2019

Por Jornal da USP

Sequenciamento genético da população carcerária paulista vai fornecer dados sobre a resistência da bactéria aos medicamentos

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Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP estão fazendo o sequenciamento genômico da tuberculose na população carcerária de presídios das regiões nordeste e noroeste do Estado de São Paulo. O estudo começou no ano passado depois do sequenciamento de vários isolados da bactéria Mycobacterium tuberculosis em pacientes atendidos em Ribeirão Preto e na cidade de Beira, em Moçambique.

Os especialistas estão buscando respostas para o controle da tuberculose resistente. É a doença infecciosa que mais causa mortes no Brasil e no mundo e a resistência aos principais medicamentos é considerada uma grande ameaça pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O professor Valdes Roberto Bollela, do Centro de Pesquisa Molecular em Tuberculose da FMRP, conta que a nova tecnologia (sequenciamento genético) permite traçar o perfil da resistência da bactéria a todos medicamentos existentes, fazendo diagnóstico, verificando elo de transmissão entre as pessoas e informando sobre as mutações sofridas pelo bacilo. “Ter essas informações e conhecer como a transmissão ocorre nos presídios pode nos ajudar a fazer o diagnóstico mais precocemente e, em especial, o da forma resistente”, diz o pesquisador.

A população carcerária é importante para testar a eficiência diagnóstica da tecnologia genômica pois a ocorrência de casos da doença é muito maior que a da população em geral. Bollela acredita que as informações obtidas pelo estudo possam levar a um diagnóstico mais rápido e a um tratamento mais efetivo, diminuindo a resistência e aumentando as taxas de cura.

O sequenciamento genômico é considerado uma arma para diagnóstico preciso e completo da resistência da bactéria aos medicamentos, mas exige diferentes técnicas e tecnologias de alto custo e recursos laboratoriais sofisticados.

O estudo da FMRP tem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da tecnologia para o sequenciamento do Centro de Medicina Genômica do Hospital das Clínicas da FMRP (HCRP).

A análise dos dados gerados será realizada por meio da bioinformática por pesquisadores da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, parceira da pesquisa. Na próxima semana, de 25 de novembro e 06 de dezembro, a pesquisadora Anzaan Dippenaar, do Centro de Tuberculose Genômica da Universidade de Stellenbosch, estará em Ribeirão Preto para treinar os brasileiros que vão trabalhar com o estudo genômico da tuberculose. A iniciativa conta com apoio do programa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP.

Ouça, no link acima, a entrevista na íntegra do professor Valdes Roberto Bollela.

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