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Estudo em PP mostra eficiência de droga antioxidante sobre efeitos do veneno da surucucu

Publicado em 20 maio 2021

Entre os resultados, estão evitar hemorragia, diminuir formação de necrose local, prevenir danos hepáticos e exercer ação anti-inflamatória

Estudo científico realizado no mestrado em Ciências da Saúde da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) mostra o potencial de droga antioxidante para atenuar ou prevenir efeitos causados pelo veneno da cobra surucucu. Os acidentes com serpentes fazem parte das doenças tropicais negligenciadas e somente no Brasil ocorrem mais de 20 mil casos por ano. A importância, a qualidade e o resultado da pesquisa ganham projeção nacional e internacional com a publicação de artigo no periódico Toxicon, o mais tradicional órgão para a difusão de novos conhecimentos na área da toxinologia, a ciência que estuda as toxinas em busca de encontrar ou analisar substâncias com fins medicinais.

Orientado pelo professor Rafael Stuani Floriano, o estudo “Ação protetora de N-acetil-L-cisteina associada com um antiveneno polivalente sobre o envenenamento induzido por Lachesis muta muta (surucucu Sul-Americana) em ratos” foi desenvolvido na Unoeste em parcerias interinstitucionais com outras duas instituições de ensino superior brasileiras: a PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás) e UEL (Universidade Estadual de Londrina). Incluindo ainda o aspecto da internacionalização, por meio do SIPBS (Instituto Strathclyde de Farmácia e Ciências Biomédicas), centro líder de pesquisas com foco em novos e melhores medicamentos, em Glasgow, na Escócia.

Eficiência da droga

A publicação é oriunda do projeto de mestrado de Aline Graciele Leão Torres, cuja defesa pública da dissertação está prevista para o ano que vem. No estudo, há o envolvimento em iniciação científica da estudante do curso de Medicina Veterinária da Unoeste, Carina Vivian Pires. Rafael diz que a produção científica em questão “investiga o potencial da droga antioxidante [N-acetil-L-cisteina], com propriedades moleculares e farmacológicas bem conhecidas, para atenuar ou mesmo prevenir os efeitos locais e sistêmicos causados pelo veneno da serpente surucucu amazônica [Lachesis muta muta] em ratos”.

Ainda conforme o orientador, a droga mostrou ser eficiente para oferecer proteção adicional ao antiveneno ao evitar a ocorrência de hemorragia e diminuir significativamente a formação de necrose local. A N-acetil-L-cisteina também contribuiu para prevenir os danos hepáticos causados por esse veneno, além de exercer ação anti-inflamatória. Rafael conta que acidentes causados por serpentes são considerados doenças tropicais negligenciadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e que são mais de 20 mil acidentes por ano no Brasil, causando mortes ou danos permanentes, de acordo com dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

Pesquisadores envolvidos

Outras informações relevantes é a da que a soroterapia (terapia antiveneno) consiste na única estratégia terapêutica para evitar o avanço dos danos causados pelos venenos, sendo necessários estudos com outras ferramentas farmacológicas de apoio; e a de que drogas antioxidantes podem apresentar substancial efeito aditivo no tratamento de envenenamento por serpentes. Rafael é biólogo e mestre em ciência animal, egresso da Unoeste; doutor em farmacologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com pós-doutoramentos na Unicamp e no SIPBS. Aline é bacharel em Enfermagem há cinco anos e especialista em docência pela Unoeste e trabalha no Hospital e Maternidade Nossa Senhora das Graças.

Com a finalidade de desenvolver e expandir a sua carreira profissional, fez aulas como aluna especial em 2019 e, no ano seguinte, participou do processo seletivo, foi aprovada e ingressou como aluna regular do mestrado em Ciências da Saúde. Conta que, para participar da seleção, teve que aprender a língua inglesa, visto como um ganho em sua carreira. “A sensação de uma publicação é maravilhosa, pelo ótimo trabalho e por novos caminhos que serão percorridos. A publicação irá, com certeza, divulgar o quanto importante são as pesquisas. Pretendo continuar meus estudos buscando o novo e atuar também na pesquisa e docência”, revela Aline, que é prudentina.

Carina é paulistana e conta que, após três anos fazendo cursinho, prestando vestibulares para ingressar em universidade pública e sempre na fila de espera, resolveu buscar realizar o sonho de cursar Medicina Veterinária em instituição particular. Como não encontrou em São Paulo (capital) curso de tempo integral, optou pela Unoeste em razão de ter familiares em Presidente Prudente e de conhecer a estrutura e tudo que o curso de Medicina Veterinária poderia lhe oferecer, no qual ingressou em 2017. Para a bolsista da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), o interesse pela iniciação científica começou quando soube da importância para a construção de bom currículo.

Ao saber da disposição de Carina, a coordenadora Rosa Maria Barilli Nogueira promoveu o direcionamento para participar de projeto com plasma rico em plaquetas, quando então foi apresentada a Rafael, que lhe falou do estudo relacionado à pesquisa que originou o artigo publicado pelo Toxicon, periódico científico da Sociedade Brasileira de Toxinologia, Sociedade Internacional de Toxinologia e Sociedade Norte-Americana de Toxinologia. Com formatura no fim deste ano, Carina pensa em prestar residência na área de clínica médica de pequenos animais. “Tenho intenção de seguir para o intensivismo veterinário, porém, eu amo a parte acadêmica também e futuramente penso em conciliar os dois”, conta.

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