Notícia

Diário do Transporte

Estudo diz que trocar etanol por gasolina pode ser pior para a saúde e o meio ambiente em alguns aspectos

Publicado em 18 julho 2017

Por Alexandre Pelegi

A revista Nature Communications divulgou um estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que revelou uma piora significativa na poluição do ar na cidade de São Paulo. O estudo foi realizado por uma equipe multidisciplinar, formada por um químico da Northwestern University (Franz Geiger, EUA), um economista da National University de Singapura (o brasileiro Alberto Salvo) e dois físicos da USP – Universidade de São Paulo (Paulo Artaxo e Joel Ferreira de Brito).

Como já havia divulgado  o Diário do Transporte em 19 de junho, o etanol pode estar relacionado ao aumento da quantidade de Ozônio – O3, que é um poluente urbano que pode causar graves problemas respiratórios. O ozônio O3 se forma quando a luz solar desencadeia reações químicas envolvendo hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio emitidos pelos veículos.

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Um dado a mais é que os pesquisadores apontam um aumento de 30% na concentração de nanopartículas (menores que 50 nanômetros de diâmetro) no ar. Segundo o estudo o motivo disso seria a troca do combustível etanol pela gasolina, substituição que teria a ver com o auto preço do etanol. O estudo mostrou que quando se usa mais etanol do que gasolina tem-se uma diminuição das nanopartículas.

A partir dos resultados obtidos na estação do Instituto de Física na Cidade Universitária, coletados pela equipe do professor Paulo Artaxo, a equipe multidisciplinar utilizou modelos estatísticos de econometria. Foram levados em conta o tráfego, o comportamento do consumidor, o tamanho da partícula e dados meteorológicos de janeiro a maio de 2011.

As nanopartículas são prejudiciais à saúde, pois penetram mais facilmente no pulmão, causando problemas respiratórios e cardiovasculares. O forte efeito negativo na saúde humana confere mais uma vantagem ao uso do etanol em detrimento da gasolina.

SÃO PAULO, UM GRANDE LABORATÓRIO:

A cidade de São Paulo atingiu a marca dos 6 milhões de carros registrados, e possui a maior frota urbana de veículos Flex no mundo. Na maior cidade brasileira a quantidade de carros aumenta mais do que o próprio número de habitantes, numa taxa anual de dois novos veículos a cada novo morador.

Este índice é sintomático de uma cidade (e de um País) que sempre incentivou o uso do transporte individual. Apesar de ser pelo lado negativo, a capital paulistana tem se tornado um laboratório de experimentos e pesquisas para o resto do mundo, principalmente no estudo do comportamento humano na bomba de combustíveis e nos efeitos provocados na poluição do ar urbana.

Especialistas apontam o uso do biocombustível (combustível de origem biológica não fóssil) como a principal saída para a redução dos níveis de poluição ambiental. Sobretudo depois que Europa e Estados Unidos adotaram o seu uso em larga escala. Os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil hoje são o etanol, obtido a partir da cana-de-açúcar, e o biodiesel, obtido a partir de fontes renováveis como o óleo de soja, de algodão e gordura animal.  Outras opções, como os veículos elétricos e híbridos, também devem ser consideradas, conforme já informamos aqui.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/29/prefeitura-de-sao-paulo-vai-buscar-financiamento-externo-para-onibus-eletricos/

Apesar de o carro ser considerado o principal vilão em termos de poluição atmosférica, muitas das mudanças dependerão também da nova licitação de ônibus para a cidade de São Paulo, prevista para acontecer ainda esse ano. Nela serão apresentadas propostas de metas de redução da poluição veicular dos ônibus. Sobre esse assunto, leia matéria publicada hoje (18):

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte