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Gazeta de Varginha

Estudo diz que mico-leão-dourado ajuda no reflorestamento

Publicado em 28 novembro 2006

Um dos primatas mais ameaçados de extinção em todo o país desempenha um papel fundamental para a regeneração de seu hábitat, a Mata Atlântica. Trata-se do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), importante dispersor de sementes — que costuma colocar em lugares adequados à germinação.
Estudo feito pela bióloga Marina Janzantti, apresentado como dissertação de mestrado no Instituto de Biociências (IB) da universidade de São Paulo, verificou que o animal consome cerca de 88 espécies diferentes da frutas.
Ela acompanhou um grupo de animais deste o momento em que acordavam, marcou árvores visitadas, fez coleta de frutos e de fezes, além de medir a distância que separava a árvore do local em que o animal defecava. Dados da literatura científica sobre o assunto também foram consultados.
Segundo o estudo, o mico engole boa parte das sementes, que saem intactas nas fezes e em condições de germinar. Outra parte é cuspida pelo animal, que leva cerca de uma hora meia para defecar após uma refeição, intervalo que permite que se alimente e defeque várias vezes ao dia, "Se o compararmos a outros animais que também se alimentam de frutas, a maior diferença é que o mico-leão-dourado carrega, várias vezes ao dia, uma grande quantidade de sementes para locais variados e bem distantes da árvore-mãe.
Por ter um padrão contínuo de alimentação e defecação, ele acaba levando as sementes do interior da floresta pára as áreas de borda, ajudando no reflorestamento de regiões degradadas", disse Marina à Agência FAPESP.
Os estudos de campo mostraram ainda que o mico tem o hábito de defeca em média, em um raio de 105 metros do local onde se alimentou, podendo alcançaram quilômetro. Apenas 6 das sementes foram depositadas em um raio de até dez metros .do local de origem, onde as sementes correm mais riscos de não germinar.
Cerca de 82% ficaram entre 10 e 200 metros, distância considerada ideal para germinação por haver menor competição de outras árvores por espaço ou luz, diminuindo as chances depredação.